A razão é simples: a utilização dos subprodutos das indústrias sucroalcooleiras.

Há quem reclame, no Centro-Sul, do avanço da cana sobre a pecuária bovina de corte, empurrando-a para longe e inflando o preço das terras. O que é verdade: só no Estado de São Paulo, produtor de 72,4% do etanol brasileiro, são 4,2 milhões de hectares plantados. Mas também há quem se agrade dessa verde companhia, em pleno vigor de sua safra de abril a novembro, exatamente o período em que há escassez de pastos na região, sugerindo que um seu importante subproduto, o bagaço, deva arraçoar os animais.

A União dos Produtores de Bioenergia estima que se produzam anualmente 72 milhões de toneladas de bagaço apenas em São Paulo, boa parte desse volume para alimentar as caldeiras das próprias usinas ou gerar energia que se soma ao sistema elétrico nacional, mas pelo menos 20% dele pode ser posto no cocho.

É o que se está provando, e com vantagens, em ação conjunta da Escola Superior de Agricultura Luiz de Queiroz (Esalq), da Universidade de São Paulo, do Instituto de Zootecnia e da Companhia Açucareira Vale do Rosário, de Orlândia, SP. O trabalho, orientado pelo professor Paulo Leme, da Esalq, é desenvolvido pelo Departamento de Zootecnia da usina, que produz rações balanceadas, usando melaço, bagaço e levedura, obtidos na própria empresa.

“E com melhoria na desempenho dos animais e na qualidade da carne”, destaca a zootecnista Regina Célia Cardoso Margarido, gerente do departamento responsável pela produção média de 500 toneladas/dia de rações, volume suficiente para alimentar 40 mil cabeças, entre bovinos confinados e animais para reposição, ovinos, equinos e vacas de leite. O projeto atende também a pecuaristas que se tornaram fornecedores de cana para a usina, mas querem continuar mantendo a criação.