Genebra – A União Européia (UE) banirá de seu mercado biocombustível sem certificação ambiental. A lei será apresentada, na próxima semana, para que seja avaliada pelos 27 países do bloco europeu. O Itamaraty já alertou aos europeus que não aceitará regras discriminatórias.

“Se o Brasil quiser exportar etanol ao mercado europeu, terá de ter sua produção certificada”, afirmou o porta-voz do Departamento de Energia da Comissão Européia, Ferran Tarradellas.

Pela proposta, a produção exportada de etanol só poderia ter gerado o corte de florestas ou danificado o meio ambiente até 2003. Toda a exportação que tenha gerado desmatamento após essa data não será aceita. A idéia ainda é a de identificar de onde as usinas estão tirando sua matéria-prima para a transformação em combustível.

Bruxelas e Brasília organizam, para os próximos meses, a visita do comissário de Energia, Andris Piebalgs, ao Brasil para debater o comércio do etanol, assim como os padrões de produção no País. A certificação já vinha sendo anunciada há alguns meses e o Brasil chegou a ser consultado sobre o sistema. “O selo ambiental é uma necessidade, pois a opinião pública européia exige isso hoje”, afirmou Tarradellas.

Nos últimos anos, o etanol apareceu como uma solução para o desafio da redução das emissões de CO2. Mas ecologistas conseguiram convencer a UE de que a introdução do produto não poderá ocorrer sem que os impactos ambientais sejam avaliados.

Metas
A Academia Real de Ciências do Reino Unido – conhecida como Royal Society, alertou que as metas existentes do uso do etanol na Europa não ajudarão a cortar as emissões de CO2 no continente e pediu que mais 20 anos sejam dados para que o continente se ajuste aos novos combustíveis. Na segunda-feira, a UE anunciou que poderá rever a meta de ter 10% de seus carros movidos à etanol até 2020.