A balança comercial do agronegócio fechou o ano de 2007 com um saldo recorde: US$ 49,7 bilhões. Este valor foi alcançado graças ao desempenho das exportações do setor, que atingiram a cifra de US$ 58,4 bilhões – 18,2% superior ao ano de 2006, contra US$ 8,7 bilhões das importações – resultado tanto do aumento dos volumes (5,6%) quanto dos preços (12%).

Entre os principais fatores responsáveis pelo desempenho positivo do agronegócio brasileiro, destaca-se o elevado crescimento da economia mundial registrado nos últimos cinco anos, que implicou maior demanda por alimentos, e o aumento dos preços de importantes commodities. O ajuste na produção mundial de cereais e oleaginosas, em razão da crescente demanda por biocombustíveis, também contribuiu para o aumento dos preços internacionais dos produtos agrícolas.

Líder no ranking dos produtos do agronegócio exportados nos últimos anos, a soja teve sua liderança ameaçada em 2007 pelo setor de carnes, que aumentou as vendas em 30,7%, passando de US$ 8,6 bilhões em 2006 para US$ 11,29 bilhões no ano passado. No mesmo período, as vendas externas de soja alcançaram o valor de US$ 11,38 bilhões.

O bom desempenho do setor de carnes em 2007 é resultado da forte demanda pelos países da Ásia e do Oriente Médio. Esse aquecimento da procura fez aumentar em 15,5% a quantidade exportada de carne, bem como os preços da carne bovina in natura (6%), do frango in natura (24%) e da carne suína (2,9%).

Vale ressaltar a recuperação das exportações da carne de frango em 2007, conseqüência do arrefecimento das vendas provocado pelos efeitos das ocorrências de gripe aviária na Ásia e Europa. O incremento das vendas externas da carne de frango foi de 44,3%, passando de US$ 2,9 bilhões em 2006 para US$ 4,2 bilhões no ano passado.

O milho foi outro produto significativo nas exportações registradas na balança comercial. Em 2006, foram vendidas ao exterior 3,9 milhões de toneladas enquanto que, em 2007, houve um aumento de 178% da quantidade exportada, representando 10,9 milhões de toneladas. O preço médio do milho também subiu de US$ 117 para US$ 172 por tonelada, com uma variação de 47,1%.

O setor sucroalcooeiro teve queda no valor do preço de exportação tanto do açúcar quanto do álcool, em conseqüência do aumento da oferta dos produtos no mercado. Em 2006, o valor da tonelada de açúcar foi negociado a US$ 327 e o do álcool a US$ 587. No ano passado, os preços caíram para US$ 263 e US$ 523, respectivamente.

Principais destinos das exportações – A União Européia é o maior comprador de produtos agropecuários do Brasil e, no ano passado, foi responsável por 35,8% das exportações brasileiras. Ao todo, foram vendidos US$ 20,8 bilhões em produtos do agronegócio aos 27 países que compõem o bloco europeu. Um aumento de 31,1% em relação a 2006, quando foram vendidos US$ 15,9 bilhões.

Em segundo lugar estão os países do bloco asiático, que compraram US$ 11,2 bilhões em 2007, seguidos pelas bandeiras que integram o Nafta, US$ 7,3 bilhões; o Oriente Médio, US$ 4,7 bilhões; África, US$ 3,8 bilhões; América Latina – excluídos os países do Mercosul -, US$ 2,6 bilhões e Mercosul, US$ 1,7 bilhão.

Isoladamente, os Estados Unidos compraram do Brasil US$ 6,4 bilhões em 2007. Os Países Baixos importaram US$ 5,4 bilhões, a China, US$ 4,6 bilhões, e a Rússia, US$ 3,3 bilhões.

Dados de dezembro – Em dezembro, as exportações do agronegócio totalizaram US$ 4,6 bilhões, o que representou crescimento de 11,9% em relação a 2006. Os produtos que se destacaram no aumento das exportações foram: carnes, cereais, farinhas e preparações, complexo soja e produtos florestais.