Frigoríficos europeus e mesmo as autoridades de alguns países, como a Suíça, procuram fechar acordos com os produtores uruguaios, já temendo a falta da carne brasileira, por questões sanitárias. No final do ano passado a UE anunciou que estava aumentando o bloqueio à carne brasileira e pediu que o governo entregasse até o final deste mês uma lista de fazendas que serão autorizadas a exportar.

Na sexta-feira passada, Bruxelas publicou em seu diário oficial as novas exigências. Para que uma carne brasileira tenha o selo de exportação, os empresários terão de provar que o gado permaneceu por 40 dias dentro das fazendas certificadas e aprovadas. Esse gado ainda precisa ter estado por três meses fora de qualquer região considerada como zona embargada, como o Paraguai, Paraná e Mato Grosso do Sul.

Uma das opções buscadas pelos europeus era a carne argentina. Mas com as restrições existentes no país para impedir o aumento dos preços internos dos alimentos, a solução em 2008 será mesmo a carne uruguaia.

Segundo a Câmara de Indústrias Frigoríficas do Uruguai, até 2007 o principal destino das carnes do país era o mercado americano. No ano passado, 46% das vendas foram para os Estados Unidos. Os europeus receberam apenas 12,2% do total exportado pelo Uruguai. No total, as vendas uruguaias chegaram a US$ 820 milhões, dos quais US$ 190 milhões foram para os países europeus.

Para 2008, a previsão é de que metade das exportações de carne do Uruguai vá para a Europa. Na prática, os europeus já estimam que podem até dobrar o volume de compras do Uruguai nos próximos doze meses.