Somente neste mês, o produto básico na tradicional dupla que compõe a mesa do brasileiro já registra preços 12,12% mais caros, segundo pesquisa da Secretaria Municipal de Abastecimento (Smab). No dia 3 de janeiro, o quilo da leguminosa era encontrado, em média, a R$ 5,36 nos supermercados da capital. No dia 24 de janeiro, o valor já estava em R$ 6,01, 202% acima do R$ 1,99 praticado em dezembro de 2006.

A expectativa de que os preços recuassem em fevereiro, com a chegada da safra das águas, pode estar ameaçada. Em Piedade do Rio Grande, Região Central do Estado, os pequenos produtores ficam à mercê de São Pedro, já que a maioria, de pequeno porte, não possui o secador, equipamento que seca a vagem independentemente do tempo. «A colheita já começou aqui na região. Mas ainda tem muito feijão no pé, e os produtores vão depender do tempo nos próximos dias», afirma o engenheiro agrônomo da Emater, Mauro Batista do Nascimento. Sem o secador, o feijão é espalhado no terreiro para secar ao sol.

Em Unaí, um dos maiores produtores de feijão de MG, grande parte da produção ainda está no campo à espera de estiagem para iniciar a colheita. «Estamos planejando começar a colher na segunda-feira de Carnaval. Vai depender de São Pedro dar uma trégua. Com uma manhã ou uma tarde sem chuva, já dá para colocar as colheitadeiras na área e levar as vagens para o secador», afirma Danilo Gatto, proprietário da Fazenda Buritis. Cada hectare deve render cerca de 35 sacos de 60 quilos, ou seja, 525 mil quilos de feijão. Na última semana, o valor da saca de 60 quilos do feijão carioquinha estava cotado a R$ 280.

A estimativa da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) é de que a produção da primeira safra – das águas – seja de 237,4 mil toneladas em MG, volume 9,9% superior às 216 mil toneladas do mesmo período de 2007. Já no país, a sinalização é de queda para 1,493 milhão de toneladas, 4,8% menos que as 1,568 milhão de toneladas do mesmo período de 2007.