Iniciam-se na semana que vem as inspeções de técnicos russos a frigoríficos brasileiros com vistas a ampliar o volume de importação de carne bovina do país. Conforme o presidente da Associação Brasileira das Indústrias Exportadoras de Carnes (Abiec), Marcus Vinicius Pratini de Moraes, serão avaliados 34 abatedouros de bovinos e dois ou três de suínos. O resultado deverá ser divulgado de 30 a 40 dias após o encerramento das visitas. A lista das indústrias indicadas será informada pelo Ministério da Agricultura (Mapa).

A expectativa é que o Rio Grande do Sul entre no roteiro da missão e possa sair beneficiado pela decisão russa de aumentar o leque de empreendimentos fornecedores do produto. O diretor técnico do Mapa/RS, José Severo, foi comunicado extra-oficialmente da comitiva, mas acredita que os russos venham vistoriar apenas os frigoríficos, já que estiveram nas propriedades no final do ano passado. Ele deve receber, hoje, a agenda da missão.

Atualmente, sete unidades gaúchas estão embargadas pela Rússia. Entre elas está o frigorífico Mercosul, que tem quatro unidades impedidas de embarcar cortes para aquele país. Conforme o presidente da empresa, Mauro Pilz, a proibição gerou prejuízos de 50 milhões de dólares em 2007. “A Rússia tem umas coisas estranhas”, diz, referindo-se aos motivos do embargo, os quais não quis revelar. Para ele, a inspeção pode significar a retomada daquele mercado. “É vantajoso em função do volume que eles compram”, justifica.

Em novembro do ano passado, o frigorífico deu férias coletivas a 612 funcionários da unidade de Bagé, medida também adotada em Capão do Leão e Alegrete. A empresa estava com 50% de capacidade ociosa. Também estão impedidos de exportar para a Rússia os frigoríficos Caxias e Três C. Apenas a unidade do frigorífico Silva está autorizada a embarcar cortes para aquele país.

O presidente do Sicadergs, Zilmar Moussalle, afirma que os preparativos para as novas inspeções começam na próxima segunda-feira. Representantes das principais entidades do setor e do Ministério da Agricultura estarão reunidos na Delegacia do Mapa em São Paulo, onde definirão a forma de condução do processo. “Temos que lidar com as novas definições dos russos. Agora, quem manda é o importador, que acerta os preços e credencia a empresa que quer”, ressalta o dirigente.