A divulgação pelos frigoríficos de balanços positivos e de procedimentos comerciais para minimizar os impactos da suspensão de vendas de carne à União Européia inibiu a queda de suas ações ontem na Bolsa de Valores de São Paulo (Bovespa), mas não anulou as perdas na semana, que chegam a 9,31%, no caso dos papéis do grupo Minerva. As ações da JBS Friboi recuaram 8% desde segunda-feira e as do Marfrig, 6,27% no mesmo período.

O Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa) confirmou em nota ontem que não poderá emitir, a partir de amanhã, o Certificado Sanitário Internacional (CSI) para exportações de carne bovina “in natura” para a União Européia. Segundo o Mapa, essa medida decorreu da decisão da Comissão Européia de não publicar, hoje (31-01), a lista de fazendas brasileiras autorizadas a exportar para aquele mercado.

“O Brasil terá dificuldade para realocar toda a carne que ia para a UE, que representa 25% das nossas exportações. Será um exercício para usar a capilaridade que detém no mercado internacional. Outra estratégia será produzir mais carne industrializada, que não sofre com restrições da UE”, avalia o diretor da Associação Brasileira da Indústria Exportadora de Carnes (Abiec), Antônio Camardelli.

Apesar da queda acentuada das ações dos frigoríficos desde segunda-feira, ontem, a queda foi mais leve, mesmo tendo atingido recuo de quase 3% durante o pregão. Os papéis do JBS caíram 0,84%, do Marfrig, 0,83% e do Minerva, 0,12%.

Frigoríficos:

No caso do Marfrig, a companhia divulgou ontem nota na Bovespa em que detalha seus planos para direcionar reduzir esses impactos e mantém seus objetivos de resultado para 2008. Entre eles, a companhia anunciou que já iniciou obras para duplicar a capacidade atual de produção de 117 toneladas diárias de carne industrializada. A ampliação ocorrerá na unidade de Pampeano, no Rio Grande do Sul.

A companhia informou ainda que suas nove unidades de abate de bovinos no Brasil vão direcionar a produção de carne in natura de exportação para outros destinos que não para a União Européia enquanto perdurar a restrição. Acrescentou ainda que fortalecerá sua atuação no mercado brasileiro. O Marfrig adicionou ainda que está trabalhando com plena capacidade nas unidades de abate de bovinos na Argentina e no Uruguai (cinco e quatro plantas respectivamente), de onde a companhia prevê obter melhores resultados, em função da maior demanda por exportações desses dois países para a Europa.

O grupo JBS Friboi reiteirou em nota ao mercado ontem que a previsão da empresa era de exportar em 2008 apenas 25% do volume total exportado em carne in natura, em relação a 2007 para a União Européia. A JBS acredita que outros países absorverão parte do volume que seria destinado para a Europa e que o excedente será destinado ao mercado interno. “Nesses locais haverá excesso de oferta, fato que tende a diminuir margens da indústria como um todo”, diz a nota.

A empresa prevê que os preços na Europa devem subir consideravelmente, beneficiando a produção das unidades da Argentina, da Austrália e dos EUA. “Na Argentina há cotas de exportação de carnes, o que deve manter os preços do gado estáveis, porém elevar o preço da carne exportada (oferta x demanda)”, informa o documento entregue à BovespaO volume exportado de carne industrializada está subindo, com melhores preços,, pois não sofre qualquer tipo de restrição, beneficiando diretamente as margens da JBS nesse setor.

Embróglio:

Com base nas inspeções dos serviços veterinários federal e estaduais, o Brasil havia apresentado à Comissão Européia, na última segunda-feira, dia 28, a lista das fazendas auditadas e consideradas conformes, segundo os critérios de rastreabilidade exigidos pela União Européia. No entanto, o serviço sanitário da Comissão indicou que selecionará 300 fazendas como base para inspeção a ser realizada no final de fevereiro. Uma delegação européia virá ao Brasil, no dia 25, para auditar o sistema e o trabalho realizado pelo serviço brasileiro.

Nos termos do relatório da inspeção realizada pela União Européia, em novembro do ano passado, não foi identificada qualquer falha no que se refere ao sistema brasileiro de controle sanitário. Foram apontadas, apenas, não conformidades no sistema de rastreabilidade.