Notas tranqüilizadoras enviadas nessa quarta-feira (30-01) aos investidores não foram suficientes para evitar a desvalorização das ações dos frigoríficos exportadores brasileiros que estão na Bovespa. As restrições impostas pela União Européia à carne bovina do país falaram mais alto.

A maior queda foi a dos papéis ON da JBS-Friboi, que atingiu 0,84% no dia. A empresa, a maior do mundo em seu segmento, bem que tentou sair na frente da crise com a UE. No domingo, enviou comunicado “otimista” à Comissão de Valores Mobiliários (CVM), no qual sinalizou altas de Ebitda e faturamento líquido em 2008.

Para o Ebitda, o aumento previsto para este ano é de R$ 177 milhões. Já a receita deverá alcançar R$ 25,5 bilhões, considerando-se todas as frentes de atuação do grupo: Brasil, Argentina, Austrália e Estados Unidos.

Ainda assim, Sergio Longo, diretor de finanças e de relações com os investidores da JBS, admitiu, no comunicado, que as as exportações de carne bovina in natura para a União Européia vão cair. Lembrou que em janeiro os embarques permaneceram aquecidos e disse que já são perceptíveis, por causa das restrições, aumentos no preços da carne bovina in natura, elevação de demanda e preço de produtos industrializados do Mercosul.

O grupo Marfrig, outro grande exportador de carne bovina, avisou ontem que as suas unidades de abate de animais terão a produção de carne in natura direcionada a outros destinos. A empresa informou que aproveitará o problema para fortalecer sua posição no mercado doméstico e, com isso, descarta uma queda da produção.

O Marfrig, que conta com nove unidades de bovinos na Argentina (5) e no Uruguai (4), esclareceu que estes trabalharão a plena capacidade. O grupo prevê que, com as travas européias ao Brasil, crescerá a demanda do bloco pelas carnes argentina e uruguaia. Mas as ações ON recuaram 0,83%.

Já o Minerva, terceiro e último frigorífico de carne bovina listado em bolsa, enfrentou ontem, além das más notícias da Europa, a decisão do Cade de manter, ainda que retificadas, as multas do processo que condenou frigoríficos brasileiros por formação de cartel. Seus papéis ON recuaram 0,12%.

Outro exportador que já encara os problemas derivados da postura da UE é o Independência. A empresa não tem ações negociadas em bolsa, mas tem essa ambição e preferiu comunicar que duas de suas oito plantas de abate serão impactadas – Janaúba (MG) e Senador Canedo (GO).

Como no caso do Marfrig, o Independência informou que, no front externo – os embarques representam cerca de 15% de seu faturamento – tentará destinar volumes maiores para Rússia, Egito e Oriente Médio. A companhia também vê no mercado doméstico uma importante saída para evitar problemas mais graves.

Em comunicado, o Independência disse que seus planos de expansão no segmento de couro não serão afetados. E informou que, na eclosão dos focos de febre aftosa no Mato Grosso do Sul e no Paraná, em 2005, as exportações a partir desses Estados (além de São Paulo) foram bloqueadas pela UE, mas não foi afetado o crescimento da receita e das margens da empresa.

Apesar desses posicionamentos, Leonardo Alencar, analista da Scot Consultoria, avalia que as margens das exportadoras deverá, sim, ser afetada, mesmo que elas consigam vender mais carne bovina in natura no mercado interno e exportar mais carne industrializada. A razão é que os preços desses produtos são mais baixos que os dos cortes vendidos na Europa.