A recessão da economia americana vai derrubar os preços das commodities e afetará as exportações do Estado, conforme avaliação Fábio Rodrigo Fonseca, líder de projetos do CIN (Centro Internacional de Negócios) da Fiems (Federação das Indústrias de Mato Grosso do Sul). “Os Estados Unidos são um dos nos maiores compradores e, diante de tal cenário, temos de rever para baixo a projeção de saldo da balança comercial deste ano”, explica.

Segundo Fonseca, no ano passado Mato Grosso do Sul comercializou com o mercado norte-americano US$ 14,8 milhões e isso colocou os EUA como um dos 20 maiores compradores de produtos sul-mato-grossenses. Em 2007, acrescenta o líder de projetos do CIN, as commodities mais vendidas para os americanos foram madeira, minério, filé de peixe e algodão.

Agora, destaca Fonseca, a alternativa para as indústrias de Mato Grosso do Sul é buscar outros mercados para exportar e compensar a redução já prevista para este ano. “Infelizmente, essa recessão vai complicar a nossa situação, já que a Europa também sinalizou que deve restringir a compra de carne bovina produzida no Estado”, analisa.

Brasil

A avaliação da AEB (Associação de Comércio Exterior do Brasil) confirma as projeções pessimista de Fonseca e a entidade irá rever para baixo a projeção para o saldo da balança comercial deste ano no país, estimada no fim de 2007 em US$ 30 bilhões. Para traçar a projeção, a AEB considerou que cinco produtos sustentariam a balança em 2008: soja, petróleo, carnes, minério de ferro e aviões (o único manufaturado).

A AEB ressalta que o preço do petróleo já está em queda, enquanto o da soja se mantém elevado ainda, mas deve recuar. Só as exportações de aviões, encomendados por meio de contratos de longo prazo, é que estão imunes à crise. A AEB afirma que a China se torna agora uma luz no fim do túnel para o mercado brasileiro.