A lista com os estabelecimentos exportadores de carne que a Rússia solicitou que o Ministério da Agricultura inspecione não inclui empresas de Santa Catarina e contempla, em sua maioria, empresas do setor de carne bovina.

O fato desagradou aos exportadores de carne suína, que esperavam que os russos solicitassem a inspeção de frigoríficos de suínos em Santa Catarina, já que em novembro passado o governo brasileiro anunciou que a Rússia havia reaberto seu mercado às carnes suína e bovina produzidas naquele Estado, além de São Paulo, Paraná, Mato Grosso do Sul, Minas Gerais, Goiás, Amazonas e no sul do Pará. Esses Estados estavam proibidos de exportar por conta da aftosa no fim de 2005 em Mato Grosso do Sul e Paraná.

“Se Santa Catarina está fora [da lista] significa que o embargo não foi resolvido”, afirmou Pedro de Camargo Neto, presidente da Associação Brasileira da Indústria Produtora e Exportadora de Carne Suína (Abipecs). Ele disse que a Rússia utiliza a sanidade como barreira comercial e não incluiu estabelecimentos que abatem suíno em Santa Catarina porque quer restringir os volumes do produto brasileiro em seu mercado. “O suíno abatido em Santa Catarina permanece sem poder ser exportado à Rússia”, queixou-se.

Fazem parte da lista, com 43 nomes, à qual o Valor teve acesso, seis estabelecimentos de carne de São Paulo, cinco de Minas Gerais, dois de Tocantins, 10 de Mato Grosso do Sul, quatro do Paraná, seis do Rio Grande do Sul, quatro de Goiás, cinco do Mato Grosso e um em Rondônia.

O secretário de Defesa Agropecuária do Ministério da Agricultura, Inácio Kroetz, que está em Berlin, disse que desde de 1º de dezembro passado, os russos liberaram Santa Catarina, São Paulo, Paraná, Mato Grosso do Sul, Minas Gerais, Goiás, Amazonas e sul do Pará depois de reconhecer que a situação de risco sanitário para produção animal nesses Estados mudou. No entanto, disse ele, a prerrogativa de definir as plantas de abate para habilitação para exportação é dos russos. “Isso não depende de nós”, afirmou.

Questionado sobre a possibilidade de os russos indicarem novos estabelecimentos para exportação além da lista apresentada nos últimos dias, Kroetz não a descartou. Ele se reúne hoje, em Berlim, com o diretor do Serviço Federal de Supervisão Veterinária e Fitossanitária da Rússia, Sergei Dankvert, para assinatura de um protocolo de entendimento na área de sanidade, com regras para a certificação da carne brasileira.

O presidente da catarinense Coopercentral Aurora, Mário Lanznáster, que não conhecia a lista com os 43 estabelecimentos, disse ontem que os russos não deram qualquer sinalização de início de vendas ou habilitação de unidades frigoríficas desde que fizeram a visita a Santa Catarina, em novembro passado. “Estamos esperando uma posição até fevereiro”.

Informado de que não havia nenhum frigorífico de Santa Catarina na lista, ele disse que o Ministério da Agricultura não poderia permitir que o Estado com o melhor sistema de defesa animal – é o único do país reconhecido pela Organização Internacional de Saúde Animal (OIE) como livre de aftosa sem vacinação – ficasse sem poder vender carne suína à Rússia. “O governo tem de exigir que os russos habilitem plantas de Santa Catarina”, defendeu também Camargo Neto, da Abipecs.

Kroetz, que participa da Semana Verde em Berlim, esclareceu que esteve na Espanha esta semana para assinatura de acordo com o governo daquele país que prevê a criação de grupo de trabalho voltado para ações de harmonização na área de rastreabilidade. Disse que desde 2005, Brasil e Espanha têm protocolo de entendimento na área de sanidade para exportação de carnes. Segundo Kroetz, nos encontros com os espanhóis ele foi acompanhado de representantes dos exportadores de carne bovina e do Fórum Nacional de Pecuária de Corte da Confederação de Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA). (Colaborou VJ)