Suprir a metade do consumo anual de trigo no Brasil. Este foi o compromisso assumido pelos secretários estaduais da Agricultura do Rio Grande do Sul e do Paraná e por lideranças de entidades dos produtores integrantes da Câmara Nacional das Culturas de Inverno, reunidos com o ministro Reinhold Stephanes, nessa segunda-feira (21-01), em Brasília. O grupo entregou um documento ao ministro da Agricultura contendo dez reivindicações dos triticultores da Região Sul do Brasil.

“Se o governo federal voltar a ter um programa de incentivo à produção de trigo, só o Rio Grande do Sul e o Paraná podem produzir mais de 5 milhões de toneladas/ano das 10,5 milhões ton/ano consumidas pelos brasileiros”, diz o secretário da Agricultura gaúcho, João Carlos Machado. Hoje, os dois estados são os maiores produtores de trigo do país, somando aproximadamente 3 milhões de ton/ano. “Como todos os produtos agrícolas, o trigo está em alta no mercado internacional, só falta apoio para o plantio”, comenta Machado.

Segundo o secretário, o ministro Reinhold Stephanes determinou à sua equipe técnica da Secretaria de Política Agrícola (SPA) uma análise criteriosa sobre as sugestões feitas pela Câmara Nacional das Culturas de Inverno, coordenada pelo presidente da Fecoagro, Rui Polidoro Pinto. “O ministro foi sensível ao nosso pleito, sobretudo porque uma maior produção de trigo reduziria a dependência do mercado externo, especialmente da Argentina”, destaca Machado. O secretário alerta que, hoje, a situação é tão grave que o Brasil já está importando farinha de trigo direto do exterior, deixando moinhos ociosos e gerando desemprego no país. “A falta de trigo está criando postos de trabalho e aumentando a renda em outros países”, lamenta.

Entre as sugestões para o incremento do Plano de Safra 2008, os principais pedidos envolvem o aumento de recursos para custeio (serão solicitados R$ 1,3 bilhão) para propiciar o cultivo de 2 milhões de hectares, o reajuste do preço mínimo do trigo em 25% (passando dos atuais R$ 400 a toneladas para R$ 500 a tonelada) e a redução dos juros de custeio de 6,75% para 4,5% ao ano.

A lista de reivindicações feitas ao ministro da Agricultura ainda inclui o aumento do seguro rural, a manutenção da TEC para o trigo e seus derivados, o monitoramento dos preços de insumos (principalmente fertilizantes), a manutenção dos atuais mecanismos de comercialização, a concessão de financiamentos para 70% da área plantada (hoje está em 35%) e a regulamentação da entrada de farinha da Argentina.

O secretário da Agricultura do Paraná, Valter Bianchini, e representantes de cooperativas e associações agrícolas daquele Estado também estiveram presentes na audiência com o ministro, assim como o diretor da Farsul, Hamilton Jardim, presidente da Comissão de Trigo da Farsul. As informações são da assessoria de imprensa da Secretaria da Agricultura do Rio Grande do Sul.