As entidades representativas dos produtores rurais receberam com cautela, ontem, as projeções do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa) para o crescimento da renda agrícola brasileira este ano. De acordo com as estimativas do governo federal, o indicador deve apresentar crescimento de 6,8% em 2008, chegando a R$ 127,3 bilhões, contra os R$ 119,2 bilhões da safra passada. Segundo o Mapa, esse desempenho será puxado pela soja, com renda de R$ 32,4 bilhões (12%), seguida pelo milho, com R$ 19,3 bilhões (15,6%), praticamente empatado com a cana-de-açúcar, com R$ 19,2 bilhões (-8,5%).

Os dirigente de entidades advertem, entretanto, que é preciso cuidado na interpretação desses números para que a renda real do produtor não seja superestimada. Eles admitem que, apesar de uma provável queda de produtividade das lavouras, devido a questões climáticas, a renda agrícola deverá apresentar algum avanço em 2008, sobretudo em decorrência das altas significativas dos preços das commodities, tanto no mercado doméstico como no internacional.

Custo:

“Nossa preocupação é de que se crie uma opinião generalizada de que o produtor agora está ganhando mundos e fundos, quando não é verdade”, diz o economista Pedro Arantes, analista de mercado da Federação da Agricultura e Pecuária do Estado de Goiás (Faeg).

Segundo ele, é preciso que se leve sempre em conta que o levantamento do Mapa diz respeito a renda bruta, o que é muito diferente da renda líquida do produtor, sempre muito menor.

Pedro Arantes argumenta que os custos de produção têm crescimento estimado entre 5% e 10%, conforme o produto, o que praticamente absorve toda o provável crescimento da renda agrícola bruta. De acordo com o analista de mercado da Faeg, mais importante que o pequeno aumento da renda real do produtor este ano é o cenário que vai se desenhando de um bom desempenho do setor pelas próximas duas ou três safras.