Uberlândia/MG – A rentabilidade dos produtores de gado de corte em 2007 deve ser superior à média deste ano. Nos últimos dois anos, a arroba do boi custava em torno de R$ 50 e hoje está cotada entre R$ 63 e R$ 65, dependendo do Estado e existe previsão de novas altas. O cenário é otimista porque, apesar de a atividade estar em um período de entressafra – quando normalmente ocorre um sobressalto dos preços devido à redução da oferta -, os resultados devem se manter porque coincidem com o processo de incremento das exportações brasileiras de carne.

O consultor em Agronegócios da Céleres, João Antônio Beltrame Filho, explica que a recuperação do setor vem ocorrendo nos últimos dois anos. Segundo ele, a pecuária de corte pode passar por novas altas nesse período de entressafra, mas os preços devem se manter no pós-entressafra em uma média maior do que a deste ano. Com isso, os custos dos bezerros e da arroba da vaca também devem sofrer alteração positiva.

A baixa lucratividade da bovinocultura de corte vinha acontecendo há quatro anos. Em 2003, o lucro dos pecuaristas que usam alta tecnologia, como o confinamento, caiu de 5,80% para 2,50% em 2005 e de 1,40% para 0,72%, no mesmo período, para os que ainda utilizam o sistema convencional ou extensivo. João Antônio explica que as perdas ocorreram devido à desvalorização da arroba bovina e do crescimento acentuado dos preços, especialmente da parte de suplementação animal que é um dos itens de maior peso no cálculo dos custos.

O consultor diz que este momento vivido pela pecuária de corte é um processo de reversão do ciclo e que, apesar da melhoria da rentabilidade, os preços praticados ainda são insuficientes para alavancar os negócios e fazer com que a recuperação financeira dos investidores seja interessante. De acordo com João Antônio, como faltam pelo menos mais dois meses para o fim da entressafra ainda há espaço para novas altas. Ele acredita que os custos de produção não devem acompanhar os novos preços, mas o de reposição de animais sim, porque o gado novo deve sofrer valorização.

Segundo o especialista em Agronegócios, o preço que estava sendo trabalhado nos últimos anos não permitia novos investimentos no setor e em alguns casos era preciso reduzir o rebanho para suprir os custos. “Estamos em um preço de equilíbrio para passar para uma margem positiva. Com este valor, o produtor consegue pagar suas contas, mas precisa de uma valorização maior para ter lucro”, concluiu.

Otimismo
O produtor de gado de corte Lucas Eduardo Vilela Stecca está na atividade há 15 anos e conta que, nos últimos três anos, passou por momentos difíceis. Ele tem três mil cabeças e está otimista com a alta dos preços. Segundo ele, a rentabilidade melhorou por causa da falta de oferta no mercado, já que havia poucos animais em confinamento no ano passado.

Lucas Eduardo diz que o valor pago atualmente pela arroba cobre os custos de produção e que este ano o cenário é otimista. “Se ocorrerem mudanças deve ser no período de janeiro a março, quando a oferta de animais aumenta em função da safra. Com isso, os preços podem voltar a cair”, antecipou.

O pecuarista cria gado de corte no Estado de Goiás e trabalha com o sistema convencional, no qual o animal pode ser abatido entre 3 e 3 anos e seis meses de idade. Lucas Vilela conta que os produtores que utilizam o confinamento conseguem reduzir este prazo para dois anos. “O custo é maior, mas o produtor ganha em tempo”, comparou.

CARNE

Produção atenderá mercado
O consultor em Agronegócios da Céleres, João Antônio Filho, garante que a produção de carne bovina neste ano vai ser suficiente para atender ao mercado interno e externo. Segundo ele, mais de 80% da produção é direcionada para o mercado interno e o restante abastece os países europeus. A Europa ainda é o principal mercado para carne industrializada (cortes), e mercado entre os países asiáticos está crescendo de forma substancial. “O Brasil é o maior exportador mundial de carne bovina e com os números do ano passado, mesmo com o problema da febre aftosa em alguns Estados do País, ampliamos a liderança”, revelou.

Apesar de terem sido prejudiciais para alguns Estados como Mato Grosso do Sul e Paraná e, depois, para São Paulo, os casos de febre aftosa não chegaram a afetar as exportações nacionais, que no consolidado do ano apresentaram transações recordes.

O pecuarista Lucas Vilela chama a atenção para o período de vacinação contra a aftosa, que começa em novembro. Ele ressalta a importância de que todos imunizem seus rebanhos para que não haja novos casos, o que levaria à queda nas exportações e a um aumento na oferta interna, causando queda nos preços.

Futuro
O consultor João Antônio Filho adianta que assim como em todas as atividades, principalmente de commodities, a pecuária é um mercado cíclico. Segundo ele, há momentos de baixa, de falta de investimentos e até de abandono da atividade. “Isso gera redução de oferta e por conseqüência aumento de preço”, disse. No entanto, quando se tem uma melhor remuneração, como a que está acontecendo agora, o processo é inverso. “Desse processo ninguém escapa, porque quem dita as regras é o mercado”, concluiu.