Para a Korin Agropecuária e Agricultura Natural, produtora do frango, a intenção é testar o mercado.

Um seleto grupo de consumidores do Santa Luzia e Pão de Açúcar, em São Paulo, e do supermercado Zona Sul, no Rio, poderão provar, a partir de abril, o primeiro frango 100% orgânico comercializado em supermercados. Serão apenas 5 mil unidades de frango congelado – de raça caipira, criado durante 100 dias (ante uma média de 45 dias do frango normal), alimentado com milho orgânico e tratado à base de homeopatia. Com todo esse tratamento especial, o frango deve chegar às lojas ao preço de R$ 15 o quilo, ante uma média de R$ 3 para o frango comum. Para a Korin Agropecuária e Agricultura Natural, produtora do frango, a intenção é testar o mercado.

É que, apesar de toda a badalação em cima de produtos orgânicos e de consumidores dispostos a pagar até 40% a mais por um produto sem agrotóxicos, no caso do frango, o preço foi além da conta. O preço do milho orgânico necessário para alimentar o frango disparou com a demanda americana por etanol e, como a ração representa 70% dos custos, a produção se tornou inviável.

O processo de produção do frango orgânico não é muito diferente do “frango verde” que a Korin comercializa – livre de qualquer farinha de origem animal e antibióticos. Mas, para poder exibir o selo orgânico, o milho também precisa ser orgânico. “Testamos outras rações, mas o custo também não compensa”, explica o gerente-geral da Korin, Reginaldo Morikawa. A empresa, que produz sob os preceitos da Igreja Messiânica, garante que sua margem de lucro é muito baixa. A empresa fatura R$ 2 milhões por mês com frangos e outros produtos agrícolas e não tem dado conta da demanda pelo frango verde. Hoje, são abatidas 9 mil aves por dia (400 mil quilos por mês), e a empresa está investindo para aumentar o abate para 11 mil aves/dia. “Vamos crescer 15%. Se tivéssemos condição de investir mais, daria para crescer até 25%. Demanda não falta”, diz Morikawa.

Outros frigoríficos também tentaram produzir frango orgânico, mas desistiram diante dos custos altos. É o caso do catarinense Macedo, que mandou alguns lotes para a Suíça e depois desistiu. Já a carne orgânica está bastante difundida no País. Em grande parte pela iniciativa de um grupo de produtores, reunidos na Aspranor (Associação de Produtores de Animais Orgânicos), que conseguiu negociar um contrato de exclusividade de três anos com o frigorífico Friboi. Juntos, os 20 produtores da Aspranor possuem um rebanho de 200 mil animais. O abate, que foi de 25 mil animais no ano passado, deve saltar para 30 mil. “Antes a maior parte era exportada, mas de dois anos pra cá o consumo doméstico cresceu e ficou maior”, afirma o presidente da Aspranor, Henrique Balbino.

O mercado de orgânicos deve ganhar um grande impulso este ano, com a regulamentação da lei dos orgânicos. Além da assinatura de um decreto presidencial, em 27 de dezembro de 2007, até o final deste semestre deverão ser publicadas as instruções normativas com todas as regras para o setor. Para o consumidor, a grande novidade é a criação de um selo único e oficial para todo o País atestando que o produto é de fato orgânico. Hoje, o consumidor convive com uma série de selos de certificadoras, cada qual com a sua exigência. “O selo único vai facilitar a identificação do produto orgânico pelo consumidor”, explica a coordenadora de agroecologia do Ministério da Agricultura, Tereza Cristina de Oliveira Saminez. Segundo Tereza, o governo prepara ainda uma grande campanha institucional para divulgar os produtos orgânicos.

“Na Europa, quando o setor foi estruturado e as normas publicadas, o mercado viveu um boom e em dez anos a área certificada multiplicou por dez”, diz Alexandre Harkaly, vice-presidente do Associação Brasileira de Agricultura Biodinâmica.