Cuiabá/MT – Os pecuaristas de Mato Grosso comemoram um novo recorde nos preços da arroba do boi que hoje está em R$ 70. A boa fase, de acordo com o presidente da Associação dos Criadores do Estado (Acrimat), Mário Cândia, é resultado do investimento na qualidade e sanidade do rebanho que vem sendo feito há alguns anos. Segundo ele, o período de 2004/2005 foi muito ruim para o setor, já em 2006 houve uma evolução e, agora, atingiu um patamar que está possibilitando a recuperação dos investimentos. Mas lembra que ainda há muito para recuperar. “Hoje o que temos é um valor real, antes os valores eram muito irreais”.

Cândia acredita que esse patamar deve se manter e destaca o aumento do consumo interno. “Nosso maior cliente é o Brasil. A melhora do poder aquisitivo faz com que a carne esteja cada vez mais presente na mesa dos brasileiros. O preço melhora e o consumo aumenta”. Ele diz que é necessário, ao invés de se ampliar as áreas de pastagem, melhorar o que já existe. Ele destaca também que os preços precisam acompanhar os custos, principalmente dos insumos que têm alta constante.

Também o diretor executivo da Associação dos Produtores Rurais (APR), Paulo Resende, se mostra satisfeito com o momento vivenciado pelo setor. “O preço é bom, é ideal e permite que os pecuaristas trabalhem. Tivemos uma grande alavancada nos preços que estavam defasados. Hoje o patamar está bom para o produtor”. Ele ressalta, porém, que não dá para prever se o preço vai se manter em alta. “Qualquer previsão neste momento seria mera adivinhação, já que tudo depende de uma série de fatores, entre eles a situação da economia mundial, o preço dos insumos e, também, a renda dos trabalhadores”.

Resende diz que para que o bom momento se mantenha é preciso que tudo corra bem na economia, que o povo esteja bem e a economia em pleno funcionamento. “Quem produz precisa ter para quem vender, então precisamos torcer para que tudo vá bem, que mais gente possa comer carne, que é a melhor proteína e a mais barata do mundo. Assim todo mundo ganha”.

O presidente do Centro Boi, Luis Heraldo Padilha, credita o bom preço da arroba do boi a três importantes fatores. Ele afirma que o que está ocorrendo é reflexo do primeiro grande abate de matrizes, aliado à dificuldade de se formar novas áreas de pastagens. Ele lembra também que além da saída de machos muitos animais jovens foram vendidos a outros estados, o que gerou uma escassez de animais em idade de abate. A escassez, diz, gera a situação do preço. “Antes o preço da carne do boi subia e havia a opção do frango ou do suíno. Hoje a alta é geral”, avalia.

A redução do rebanho preocupa Resende. Segundo ele, isso pode fazer com que as plantas de frigoríficos prevista para o Estado sejam repensadas.

Matança de matrizes ficou acima da média
Nos últimos anos, os pecuaristas mato-grossenses viram seus rebanhos serem reduzidos por conta na necessidade de se abater as matrizes, em decorrência da escassez de machos em idade de abate. Em 2006 foi registrado um aumento de mais 14% no abate de fêmeas, o que também se refletiu na redução do rebanho de bezerros. Além disso, a saída de animais vivos e a venda de animais jovens também foram grandes neste período, reduzindo ainda mais o rebanho.

Resende conta que os criadores vinham de três anos consecutivos com perda de renda. “Hoje o setor está se recuperando”, diz, lembrando que enquanto os preços da arroba registravam as maiores baixas no ano passado, a pecuária foi obrigada a conviver com alta dos insumos.

Na avaliação de Paulo Resende, os prejuízos que os pecuaristas tiveram com a depreciação dos preços são incalculáveis. “O nosso custo de produção aumentou drasticamente e o produto perdeu valor absoluto”, disse ele.

EXPORTAÇÃO

Em relação à exportação da carne de Mato Grosso, o diretor da APR lembrou que o maior volume exportado pelo Estado é para a União Européia, que compra a carne mais nobre, que tem maior valor agregado na produção.

Ele revela que houve um aumento no volume exportado, mas com a desvalorização do dólar esse aumento não teve o mesmo reflexo na parte financeira.

“O preço da arroba chegou a US$ 39, um valor nunca visto antes. No entanto, ao converter esse valor em reais, o valor final é pequeno. Se tivéssemos esse preço quando a cotação do dólar estava na casa de R$ 2,80 e R$ 3,00, então teríamos um bom retorno financeiro”, disse.