O conhecimento gerado pelas pesquisas com mandioca da Embrapa Cerrados (Planaltina/DF), realizadas em áreas experimentais no Cerrado e nos laboratórios da Unidade, está sendo útil para Brasil e China estabelecerem uma cooperação técnica visando à produção de álcool a partir de mandioca. A China, país com área cultivada de mandioca de 500 mil hectares, dos quais 200 mil são destinados para a produção de álcool usando o processo convencional de hidrólise do amido para o açúcar, pretende utilizar mandioca açucarada para produzir etanol.

O banco de germoplasma de mandioca da Embrapa Cerrados, uma coleção de 500 acessos de mandioca representativos do Cerrado, foi visitado na última sexta-feira (25/01) à tarde por três pesquisadores da Academia Chinesa de Ciências da Agricultura Tropical (CATAS) acompanhados pelo pesquisador Luiz Joaquim Carvalho, da Embrapa Recursos Genéticos de Biotecnologia (Brasília – DF). “É um banco ativo, novos acessos continuam sendo incluídos”, destaca Eduardo Alano Vieira, pesquisador da Embrapa Cerrados.

Segundo Wenquan Wang, pesquisador da CATAS, a mandioca ganhou importância na China para dar suporte ao programa nacional de biocombustíveis. “Há 30 anos a mandioca era fonte de alimento para chineses, depois passou a ser mais utilizada para alimentação animal, e há alguns anos aproximadamente 60% da produção é destinada para a indústria produzir amido; 20% para produção de álcool e os outros 20% para alimentação de suínos”, explica Wang.

O pesquisador comenta ainda que a migração da maior parte da produção para produzir etanol é um esforço governamental para substituir o combustível fóssil por uma opção com menor impacto no meio ambiente. O ano de 2007 foi o quinto consecutivo em que a economia chinesa avançou mais de 10%. Segundo os dados divulgados na semana passada pelo Departamento Nacional de Estatísticas da China, o Produto Interno Bruto (PIB) atingiu US$ 3,43 trilhões em 2007, um crescimento de 11,4% em relação ao ano anterior.

Wang, acompanhado pelos colegas Jie Huang e Jianchun Guo, todos com PhD em mandioca, tiraram dúvidas sobre os cruzamentos realizados pela equipe de pesquisa da Embrapa Cerrados e destacaram o “elevado padrão de conhecimento gerado pelas pesquisas da Embrapa”. O pesquisador Eduardo Alano apresentou as variedades de mandioca ricas em betacaroteno (amarela), licopeno (vermelha) e a açucarada. A Embrapa Cerrados pesquisa oito diferentes acessos de mandioca vermelha.

As pesquisas com as variedades de elevado teor nutricional, explica Alano, estão evoluindo para que o produtor possa plantar um material produtivo, adaptado à tolerância ao alumínio e resistente a pragas. Segundo o pesquisador, o desafio da pesquisa é incorporar a alta produtividade e a película branca, que facilita a retirada da casca, na variedade açucarada. Quanto às variedades vermelhas, é preciso melhorar a qualidade culinária.

Para Alano, a área experimental plantada em novembro do ano passado com cem indivíduos resultantes do cruzamento da IAC 12, variedade mais cultivada no Cerrado, com a variedade açucarada de origem da Amazônia pode gerar mandiocas açucaradas com boa produtividade e adaptadas às condições do Cerrado.

Após a visita ao campo, a comitiva chinesa foi recebida pela chefia da Embrapa Cerrados. O chefe-geral Roberto Teixeira Alv.