O produtor de carne bovina inicia o ano com os custos mais altos. Segundo levantamento da Scot Consultoria, em média, os preços da suplementação animal subiram 10,4% em janeiro em relação ao mês anterior. Na comparação com o mesmo período de 2007, a variação foi de 14,7%. Mas, em compensação, o setor terminou 2007 o melhor preço externo em 12 anos, de acordo com a mesma consultoria: US$ 1.750 a tonelada equivalente carcaça.

De acordo com a analista Maria Gabriela Tonini, da Scot Consultoria, a maior parte das empresas reajustou os preços de suplementos minerais em janeiro e a previsão é que os aumentos continuem ao longo do ano. Segundo ela, o principal responsável por este custo mais elevado é o fosfato de bicálcio, que em janeiro subiu 20%. O produto precisa ser importado e teve sua demanda aumentada no último ano não só pelo setor pecuário, mas também porque é matéria-prima para fertilizantes (ácido fosfórico). O fosfato representa 60% do custo dos suplementos. Segundo ela, o produtor pode vir a diminuir a tecnologia empregada, devido a este aumento.

Se os custos aumentaram, os preços também. Pelas estimativas da consultoria, a arroba valorizou-se 41% em reais entre janeiro do ano passado e de 2008, cotada a R$ 76 em Barretos (SP). Em dólares a alta foi ainda maior, chegou a 72% em Goiás, onde o animal foi comercializado a US$ 40,85 no último dia 15. Pelo levantamento, a maior cotação nacional em dólares foi registrada em Araçatuba e Barretos – cidades do interior paulista: US$ 42,55 a arroba. No mesmo período do ano passado, o campeão era Santa Catarina: US$ 25,85 a arroba.

O preço interno se refletiu também no mercado interno. De acordo com a consultoria, o valor médio do ano passado foi o mais alto tem 12 anos, considerando a média cobrada pela carne in natura e industrializada. O valor médio do ano foi 4,29% superior a registrado no ano anterior. No caso da carne in natura, o valor cobrado em dezembro – US$ 2.430 a tonelada equivalente carcaça foi a maior desde março de 1999.