Começa no dia 15 de fevereiro, a campanha de vacinação contra febre aftosa na Zona de Alta Vigilância Sanitária (ZAV), formada pelos municípios (ou parte deles) que compõem a região de fronteira do Mato Grosso do Sul com o Paraguai, tendo como ponto de partida uma área de 15 quilômetros de extensão.

Segundo a Agência Sanitária Vegetal e Animal (Iagro), os municípios de Antônio João, Japorã, Mundo Novo possuem as totalidades de seus territórios ou espaço geográfico/administrativo, que compõem a Zona de Alta Vigilância Sanitária.

Já os municípios de Aral Moreira, Bela Vista, Caracol, Coronel Sapucaia, Paranhos, Ponta Porã, Porto Murtinho e Sete Quedas apenas parte do território, espaço geográfico ou administrativo estão incluídos na ZAV.

“A única diferença da campanha de vacinação de febre aftosa dessa região das demais (Planalto e Pantanal) é a imunização dos bovídeos com até 12 meses de idade. As regras são as mesmas”, explica o diretor da Iagro, Ricardo Bacha.

Nesta região a vacinação segue até o dia 15 de março. De 1º a 31 de maio, deve ser feita a vacinação de todo o rebanho bovino e bubalino, independente da idade. De 20 de novembro a 20 de dezembro, vacinação de todo o rebanho bovino e bubalino, independente da idade.

O registro das vacinas nas unidades veterinárias locais da Iagro deverá ser feito em até 15 dias, após o encerramento da campanha.

A Comissão Européia, órgão executivo da União Européia, afirmou nesta quinta-feira, 7, que só voltará a permitir qualquer importação de carne do Brasil depois de “analisar as garantias” proporcionadas pelas autoridades brasileiras a respeito das fazendas listadas como aptas para exportar para o bloco.

“Com base nessa análise, decidiremos quais fazendas poderemos incluir na lista (de exportadores) e quais teremos que esperar pelos resultados da inspeção do FVO”, disse à BBC Brasil a porta-voz da Comissão Européia para Saúde e Proteção ao Consumidor, Nina Papadoulaki.

O Departamento de Alimentação e Veterinária (FVO, na sigla em inglês) é responsável pelo controle sanitário na União Européia e deve enviar, no próximo dia 25, uma nova missão para avaliar se as fazendas brasileiras seguem os padrões de qualidade exigidos pelo bloco para a exportação de carne.

“Até o momento, no entanto, as autoridades brasileiras não forneceram à comissão relatórios completos das auditorias e inspeções que garantam que essas fazendas (as 2.681 que constam da lista enviada à Bruxelas há uma semana) cumpram todos os requisitos europeus para importação”, disse Papadoulaki.

Dúvida

A falta desses relatórios detalhados foi um dos fatores que levou o Executivo europeu a duvidar da lista elaborada pelo governo brasileiro, com um número de fazendas oito vezes maior do que o recomendado pelos técnicos do FVO, e decidir pela proibição total das importações.

O governo brasileiro se comprometeu então a entregar as informações relativas a cada uma das fazendas listadas até o próximo dia 15.

Mas nesta quarta-feira o secretário de Defesa Agropecuária, Inácio Kroetz, informou que uma nova lista está sendo elaborada e que o número de estabelecimentos considerados aptos para a exportação deve ser reduzido para 683.

Kroetz admitiu que a maior parte das fazendas listadas anteriormente não haviam sido auditadas, como desconfiava a Comissão Européia.

Para a associação EuBrasil, dedicada a reforçar as relações entre a Europa e o Brasil, o recuo do governo brasileiro deve ser visto como “uma mostra de boa vontade para negociar e encontrar uma solução para o problema”.

“Esperamos que esse movimento seja seguido por um movimento equivalente por parte das autoridades européias”, disse à BBC Brasil o presidente da associação, Luigi Gambardella. “O mais importante agora é retomar as importações do Brasil. Depois, a lista (de fazendas) poderá ser ampliada.”

“Do ponto de vista técnico, a redução do número de exportadores permitirá às autoridades brasileiras e européias conseguir melhores garantias de qualidade sobre a carne vendida aos consumidores europeus por um preço mais baixo, apesar de que, no momento, não há riscos envolvidos”, avalia Gambardella.

O momento de euforia acompanhada de uma ligeira queda no preço da arroba do boi, com o anúncio de que a União Européia não compraria mais gado brasileiro precisa ser avaliado com cautela pelos produtores rurais, conforme alertou o presidente da Famasul, Ademar Silva Junior.

“O pecuarista precisa analisar como gestor de uma empresa. É preciso avaliar seu custo de produção e, se for rentável, vender”, analisou. Apesar de a arroba ter desvalorizado, as previsões para recuperação da venda de carne bovina para a União Européia são promissoras. O Centro de Pesquisas Econômicas Aplicadas da Universidade de São Paulo (Cepea/USP) divulgou que a medida não foi bem recebida em alguns Países da EU. Na Inglaterra, por exemplo, preço da carne no varejo teria subido entre 10 e 15% no ano passado, contra uma alta de 1,2% na inflação. Na Itália a situação é ainda pior, com a carne valorizando 20% em 2007, e a inflação aumentando 1,5%. A produção de boi na Irlanda – é um dos principais produtores de animais de corte do bloco –, não é suficiente para atender a demanda européia, o que faz com que, em pouco tempo, a Comunidade volte aprecisar da carne brasileira. Além disso, recentemente foi noticiado um caso de vaca louca no rebanho irlandês.“É preciso fazer uma análise do mercado global, trabalhar com grupos de produtores, ter uma gestão da propriedade mais profissional”, alegou o presidente da Famasul. Ademar argumentou ainda que o preço do boi no Mercado Futuro teve ajustes positivos. Para fevereiro, os contratos tiveram alta de 71 centavos por arroba por dia

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