Impulsionadas por soja e carnes, as exportações brasileiras do agronegócio confirmaram as expectativas e alcançaram o recorde histórico de US$ 58,416 bilhões no ano passado, 18,2% mais que em 2006.

Os dados são da Secretaria de Comércio Exterior (Secex) compilados pelo Ministério da Agricultura. Com forte peso do trigo, as importações do setor aumentaram 30,2% na mesma comparação e atingiram US$ 8,719 bilhões. Apesar de o salto das importações ter sido maior que o das exportações, o superávit da balança cresceu 16,3%, para US$ 49,696 bilhões, também bateu recorde e foi vital para o saldo da balança comercial nacional, que encerrou 2007 em US$ 40,039 bilhões.

Com sua tradicional liderança nas exportações do campo “ameaçada” pelas carnes desde o início do ano, o chamado complexo soja – formado por grão, farelo e óleo – encontrou na recuperação das cotações internacionais a alavanca necessária para permanecer no topo do ranking. No total, os embarques do complexo renderam US$ 11,381 bilhões, 22,3% mais que em 2006, com destaque para os incrementos dos preços de venda. No caso do grão, a alta foi de 24%, superior a do farelo (21%) mas inferior a do óleo (45%), de acordo com o levantamento do ministério.

Mas as carnes (bovina, suína e de frango) nunca estiveram tão perto de se assumir a liderança nas exportações do agronegócio em 2007. Ao fim e ao cabo, os embarques do segmento chegaram a US$ 11,295 bilhões, 30,7% acima do resultado de 2006, e foram responsáveis pela “maior contribuição para a expansão das exportações” do setor, segundo análise oficial. As contas mostram que, com o desempenho observado, o grupo representou praticamente 30% do crescimento total da receita com os embarques. O volume de carnes vendido ao exterior subiu 15,5% e os valores negociados foram mais atraentes sobretudo para a carne bovina in natura (6% mais que no ano anterior), frango in natura (24%) e carne suína (2,9%).

As exportações do segmento sucroalcooleiro voltaram a ser superadas pelos embarques de produtos florestais – que aumentaram 11,9%, para US$ 8,819 bilhões – e tornaram-se a grande decepção da balança setorial em 2007. No total, as vendas de açúcar e álcool somaram US$ 6,578 bilhões, 15,4% menos que em 2006. Os embarques de açúcar recuaram 17,3%, para US$ 5,1 bilhões, e os de álcool caíram 7,9%, para US$ 1,5 bilhão. As cotações internacionais do primeiro até que voltaram a se recuperar, mas há pouco tempo, enquanto o etanol foi prejudicado pela ausência de mercados maduros para o uso do combustível no exterior.

O ministério também destacou, do lado das exportações, os avanços de milho e do grupo cereais, farinhas e preparações, estimulado justamente pelo milho. Foram embarcadas 10,9 milhões de toneladas do grão em 2007 (US$ 1,8 bilhão), 178% acima do volume do ano anterior, e as vendas do grupo passaram de US$ 722 milhões para US$ 2,2 bilhões. Ainda assim houve déficit (de quase US$ 114 milhões), porque o grupo inclui trigo e, no total, as importações subiram 43,1%, para US$ 2,334 bilhões. Sucos, café, fumo e frutas foram outros produtos que ajudaram as exportações, segundo o ministério.

Com influências decisivas de carnes e milho, as exportações brasileira de produtos do agronegócio para a União Européia aumentaram 31,1%, para US$ 20,892 bilhões no ano passado. A participação do bloco nas vendas totais do setor cresceram, com isso, de 32,3%, em 2006, para 35,8%. A Ásia permaneceu como o segundo principal destino das vendas do setor, mas sua fatia no bolo passou de 19,3% para 20,3%. Os embarques para os países do Nafta recuaram 7,6%, para US$ 7,360 bilhões, mas o bloco permaneceu na terceira colocação neste ranking.