A Associação Brasileira das Indústrias Exportadoras de Carne (Abiec) classificou a decisão da União Européia (CE) de barrar as importações de carne bovina do Brasil de protecionista. A entidade argumenta que as novas regras impostas pelo bloco europeu inviabilizam a definição das propriedades nacionais aptas a exportar, na medida em que reduzem muito o número de fazendas habilitadas.

“Paciência, o que nós vamos fazer? Não quer comprar, não compra… Eles (os europeus) fizeram essa proposta como quem diz assim: “vamos fazer uma proposta inviável e aí bloqueamos”, afirmou o presidente da Abiec, Marcus Vinícius Pratini de Moraes. “É uma medida puramente protecionista, não tem nada a ver com sanidade, nem com coisa nenhuma”.

O comissário de Saúde da União Européia, Markos Kyprianou, afirmou que o governo do Brasil enviou uma lista com um número maior do que o esperado de propriedades para serem autorizadas a exportar à UE e, por isso, os técnicos da CE levarão mais tempo para habilitar todas elas. Segundo Kyprianou, nenhuma propriedade está autorizada, o que vai impedir as exportações a partir da quinta-feira, quando entram em vigor as novas regras.

O Ministério da Agricultura repassou terça-feira à UE uma lista com cerca de 2.600 propriedades que estariam aptas a fornecer gado para a produção de carne a ser destinada aos europeus. Mas a UE esperava receber uma lista com apenas 300 propriedades aprovadas previamente.

A UE importou no ano passado 543,5 mil toneladas de carne do Brasil, ou 21% do total exportado pelo país. Além disso, os europeus, por pagarem mais pelo produto nacional, responderam pela maior parcela de divisas obtidas pelo setor no ano passado, 1,4 bilhão de dólares, contra exportações totais de 4,42 bilhões de dólares.

Segundo Pratini, os europeus “não podem impor regras a um país que tem 5 milhões de propriedades agrícolas, das quais pelo menos 3 milhões com pelo menos uma vaca para fornecer leite, e mais de 100 mil propriedades com grandes produtores de gado”.