Só que os produtores consideram impossível atender às exigências da forma como elas estão colocadas. A Federação da Agricultura e Pecuária de MS até apresentou documento com sugestões ao Ministério da Agricultura, mas elas não foram aceitas.

Hoje há uma reunião na Confederação Nacinal da Agricultura – CNA, na qual Mato Grosso do Sul estará representado por José Lemos Monteiro, do Sindicato Rural de Campo Grande.

Sexta-feira, de São Paulo, por telefone, o presidente da Famasul, Ademar Silva Jr. disse ao Correio Rural que a intenção das mudanças feitas no Sisbov, com a implantação do sistema Eras, era de melhorar o sistema. “Só que houve erros de informação, e o resultado não foi o esperado”. Segundo ele, as exigências da União Européia são inexequíveis, a burocracia é grande demais, e o sistema não se adapta à realidade do Brasil”.

Por isso, o assunto vai ser novamente discutido nesta segunda-feira no Fórum Nacional de Pecuária de Corte, na CNA.

Como é o novo sistema

Agora, todos os animais de uma propriedade, até os não exportáveis, deverão ser identificados e cadastrados. E a certificação passa a valer para a propriedade como um todo. A partir de 2009, haverá outra exigência: uma propriedade habilitada só poderá comprar animais de outro Eras.

Para o diretor da Associação Brasileira do Novilho Precoce (ABNP), uma das entidades-membros da Câmara Setorial da Carne Bovina, Auler Matias, o novo Sisbov é mais coerente. “Faz mais sentido. Antes, o produtor podia cadastrar os animais até 90 dias antes do abate”, diz. Agora, animais nascidos em uma fazenda com Eras deve ser identificado na desmama ou, no máximo, até os 10 meses de idade, sempre antes da primeira movimentação.

Conforme a cartilha do Ministério da Agricultura (Mapa), o objetivo é cadastrar produtor e propriedade, estabelecer um protocolo básico de produção, registrar insumos usados na propriedade, identificar individualmente 100% dos bovinos e bubalinos da propriedade e controlar toda a movimentação de animais. Além disso, as certificadoras deverão fazer vistorias semestrais.

Controle rígido

Apesar das mudanças, a União Européia (UE), responsável por mais de 30% das exportações brasileiras de carne bovina, ameaça restringir as importações do produto brasileiro. Em novembro passado, técnicos europeus inspecionaram fazendas registradas no Sisbov e apontaram falhas no controle de doenças, principalmente a febre aftosa, e na fiscalização de trânsito de animais.

A UE deu prazo, até 31 de janeiro, para o Governo brasileiro apresentar uma lista com as propriedades habilitadas. Em março uma nova missão européia voltará ao Brasil para reinspecionar estas propriedades e confirmar se de fato estão atendendo às exigências.