Ela suga a seiva e seus excrementos deixam as folhas escurecidas, prejudicando a fotossíntese.

A mosca branca, uma praga desconhecida do agricultor na região de Dourados (MS) até 2005, está infestando as lavouras de soja, colocando em alerta o setor agrícola por causa dos prejuízos que esse inseto pode provocar na saúde da planta e na produtividade. Ela suga a seiva e seus excrementos deixam as folhas escurecidas, prejudicando a fotossíntese.

Nas últimas duas safras, a mosca branca – que ataca também outras culturas, surgiu na região e a sua infestação chegou agora a “níveis preocupantes porque podemos dizer que já é uma praga instalada”, definiu o agrônomo Gilberto Bernardi, que atua na área de assistência técnica rural.

Essa mesma posição tem o especialista em insetos Crébio José Ávila, da Embrapa Agropecuária Oeste. “A mosca branca apareceu no ano retrasado (2006), ainda sem uma explicação definitiva e se alastrou na soja. O desequilíbrio biológico certamente está contribuindo para isso”, observou o entomologista.

Esses dois técnicos disseram ao Correio do Estado que o controle é difícil, porque os inseticidas têm média eficiência na eliminação da praga, que se espalha com facilidade pelas lavouras vizinhas, mesmo onde houve a pulverização.

Em outros estados há o registro desta praga. Ela é comum nas hortaliças, o que obriga o produtor a fazer pulverizações semanais para o seu controle. “O tomate, o pimentão e em outros tipos de legumes a mosca branca é normal. Também nas lavouras de feijão o ataque é sistemático”, explicou Bernardi.

Na região de Dourados, segundo ele, a presença do inseto – em maior ou menor infestação, está sendo comprovada de forma generalizada. “O pior é que ele ataca em todo o ciclo da soja. Vai até a colheita”. Por isso, o controle com aplicação de agroquímico é a saída para diminuir a população da mosca.

Citou ainda o agrônomo que por ser “uma praga voadora, ela é levada pelos ventos a longas distâncias, o que facilita a sua disseminação e multiplicação, feita em uma semana. O produtor pode pulverizar a sua lavoura, mas ela estará presente na do vizinho”.

Esse inseto perfura a planta para ingerir a seiva e seus excrementos ficam sobre as folhas, formando uma espécie de fuligem, chamada tecnicamente de fumagina. Essa cobertura escura é que prejudica ou até impede a fotossíntese debilitando e até matando toda a planta, em casos mais extremos.

Crébio Ávila atribui, inicialmente, a proliferação da mosca branca no sul do Estado ao clima (de preferência o seco), a diminuição de inimigos naturais e ao cultivo de plantas hospedeiras. “Ela se instala desde capins até a soja”, explicou o pesquisador. Os cultivos de verduras e legumes servem de “ponte” para a mosca branca no período da entressafra da soja, permitindo que reapareça na safra de verão, como tem ocorrido nos últimos três anos.

Por enquanto, não há registros oficiais de perdas por causa do ataque desta praga. Mas Gilberto Bernardi recomendou que o monitoramento frequente das lavouras – junto ao da ferrugem asiática da soja, é a única saída para identificar os focos da mosca branca, fazendo-se a aplicação do inseticida mais recomendado.