Apesar de se dizerem unidos no combate ao desmatamento na Amazônia, aministra do Meio Ambiente, Marina Silva, e o ministro da Agricultura, Reinhold Stephanes,divergem sobre opeso da agropecuária no processo de devastação.

Durante entrevista coletiva hoje (24), no Palácio do Planalto, onde se reuniram com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva para avaliar os números divulgados ontem pelo Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe), os ministros deixaram transparecer visões contrastantes.

Há quatro anos a área de produção de soja no Brasil não aumenta, disse Stephanes. Ele salientou que não há necessidade de derrubar uma árvore para produzir soja ou carne: Conceitualmente estamos integrados [com o Ministério do Meio Ambiente].

Já a ministra Marina Silva lembrou que, nos últimos três anos, o desmatamento tinha caído graças a ações fortes do governo, com a contribuição de preços internacionais desfavoráveis soja e carne. Agora esse componente [preço internacional de commodities] voltou ao cenário e o desmatamento aumentou nos três estados Mato Grosso, Pará e Rondônia em que existe uma forte atividade agrícola e pecuária, afirmou ela.

Ao ressaltar que o quadro apontado pelo Inpe acendeu um sinal de alerta no governo, Marina Silva disse ser preciso criar uma outra narrativa para agricultura e a pecuária brasileira, com produtores evitando a prática do desmatamento.

Há, segundo a ministra, 165 milhões de quilômetros quadrados de áreas já devastadas. É só investir na recuperação de pastagens destas áreas e deixar de invadir área florestada para garimpar nutrientes, disse.

Apesar das divergências, Stephanes e Marina anunciaram a intenção de viajar juntos aos locais apontados como mais críticos no monitoramento por satélite. Vamos visitar as áreas para ver o que efetivamente aconteceu, se é para retirar madeira ou para pecuária, e adotar todas as medidas legais cabíveis contra quem desmatou sem autorização, informou Stephanes