A decisão da UE (União Européia) de suspender a importação de carne bovina brasileira pode terminar nos tribunais da OMC (Organização Mundial do Comércio). O ministro da Agricultura, Reinhold Stephanes, disse que o Itamaraty “está pensando nisso”. Ontem o ministro visitou exposição agrícola em Cascavel (PR). Segundo o ministro, no entanto, o Brasil vai dialogar para manter as portas da UE abertas à carne brasileira. Um recurso na OMC, disse, poderia durar até dois anos, o que não interessa ao país.

O ministério espera que, em até 90 dias, haja entendimento. “A gente coloca isso como uma meta, mas não pode dar certeza porque estamos tratando com pessoas que não têm necessariamente os mesmos interesses que o Brasil”, afirmou. O ministro disse que as discussões em torno da carne bovina brasileira se arrastam há oito anos. “É claro que o Brasil tem alguma culpa nisso. Ou por aceitar algumas negociações que não tinha condições de cumprir ou até por não ter cumprido questões que, muitas vezes, poderia ter cumprido.”

Sobre o mais recente embargo, Stephanes disse que a UE pediu que as propriedades fossem auditadas dentro de padrões estabelecidos. “Como temos 2.700 propriedades habilitadas, não temos como selecionar 300”, disse. A decisão de enviar a lista com 2.681 propriedades, segundo o ministro, foi tomada em uma reunião com os produtores. “Toda a cadeia de produção assumiu a responsabilidade de que não deveria mandar as 300”, disse.

Segundo o ministro, a missão européia que virá ao Brasil neste mês vai examinar e habilitar 300 propriedades da lista enviada à UE. “Nós estamos pedindo um processo de incorporação de novas unidades, até porque 300 não são suficientes para abastecer as necessidades da União Européia”, disse.