O Ministério da Agricultura aumentou em 1,4% sua projeção para a renda agrícola (“da porteira para dentro”) das 20 principais lavouras do país em 2008. À luz da nova previsão do IBGE para a colheita de grãos deste ano e do elevado patamar de preços sobretudo dos grãos, a receita estimada por José Garcia Gasques, coordenador de planejamento estratégico do ministério, passou a R$ 127,3 bilhões, ante R$ 125,6 bilhões projetados em novembro. Em relação ao montante estimado para 2007 (R$ 119,2 bilhões, deflacionados pelo IGP-DI da FGV), o salto chega a 6,8%.

Para a soja, carro-chefe do agronegócio nacional, a renda projetada para 2008 passou a R$ 32,4 bilhões, 0,6% menos que o previsto em dezembro mas ainda 12,1% acima do total do ano passado. A maior receita obtida pelo grão ainda é a de 2003 (R$ 41,6 bilhões), conforme os números apresentados pelo ministério. O IBGE estima a colheita de soja em 58,2 milhões de toneladas este ano, o mesmo patamar de 2007, mas de lá para cá as cotações subiram expressivamente nos mercados externo e doméstico.

Os novos prognósticos também prevêem “disputa” acirrada entre milho e cana-de-açúcar pelo segundo lugar entre os produtos agrícolas mais rentáveis do país, com vantagem para o primeiro. Gasques prevê que a receita do milho atingirá R$ 19,3 bilhões, 15,6% mais que no ano passado (R$ 16,7 bilhões). Para a cana, a projeção é de renda de R$ 19,2 bilhões, 8,49% menor que a de 2007 (R$ 20,9 bilhões). O milho segue valorizado pela aquecida demanda para a produção de alimentos e etanol e deve voltar a registrar exportações firmes este ano. A previsão para a cana, em contrapartida, sente os efeitos da queda dos preços do etanol no mercado doméstico, apesar do recente movimento de recuperação das cotações do açúcar no exterior.