No ano anterior, a liderança tinha sido do arrendamento de terra para cana de açúcar, com 6%, enquanto o leite tinha ficado com 2,89%. Para 2008, a estimativa da consultoria é que a atividade continue com margem positiva – assim como a pecuária de corte. “O custo subiu muito, mas o preço também”, afirma Maurício Nogueira, analista da Scot Consultoria. De acordo com a empresa, no ano passado, os custos aumentaram entre 18% a 22%, mas os preços foram 31% superiores à média pratica em 2006.

O produto foi comercializado a R$ 0,64 o litro – média anual do Brasil – acima dos R$ 0,58 o litro na média da década. “O resultado é que os investimentos no setor aumentaram e a produção deve crescer”, afirma. Na Agrindus SA o investimento de R$ 1 milhão resultará em um aumento de 10% na produção. “Colocamos recursos para ganhar eficiência e também agregar valor”, afirma Roberto Jank Júnior, diretor do laticínio.

A fazenda produz diariamente 40 mi litros de leite. A pecuária de corte também teve resultado positivo no ano passado: 1,84% ante aos 1,56% de 2006. Segundo Nogueira, a margem do leite é maior que a da pecuária de corte porque rende mais por hectare. De acordo com a consultoria, o resultado foi decorrente de preços médios 35,7% superiores, para custos 22,3% maiores. Para este ano, Nogueira acredita que as duas atividades terão rentabilidade positiva. No entanto, na sua avaliação, a do leite será inferior à atual e a da pecuária de corte superior.

O analista da Scot Consultoria afirma que as cotações do boi gordo tendem a ficar elevadas, devido à escassez de oferta, compensando os custos mais elevados. Para o leite, a estimativa da consultoria é que os preços médios sejam semelhantes aos de 2007, sem os picos do ano passado. “A indústria acredita que o mercado continua demandado e, como os custos estão elevados por causa dos grãos, o preço tem de ser rentável, se não o pecuarista pára de produzir”, afirma Nogueira.

Para o diretor da Agripoint, Marcelo Pereira de Carvalho, talvez a média seja até superior que a do ano passado, uma vez que 2008 já inicia a patamares mais elevados que os registrados em janeiro de 2007. “A dúvida é se os picos vão se repetir”, diz. Os analistas acreditam que os investimentos continuem em 2008. É o que vai ocorrer no Laticínio Fazenda Bela Vista, que deve aplicar entre R$ 2 milhões a R$ 3 milhões na atividade, valor semelhante ao empregado em 2006, quando a empresa trocou todos os equipamentos de ordenha.

“Estamos em um processo de melhoria de qualidade e de ampliação da capacidade instalada de vacas em lactação”, afirma o diretor de Produção, Sérgio Ferraz Ribeiro Filho. No ano passado, a fazenda produzia 75 mil litros por dia e pode chegar a 87 mil litros diários em 2008.

Parmalat:

A LAEP Investments Ltd, controladora da Parmalat, anunciou sexta-feira a aquisição da industrialização e comercialização de leite e derivados da Cooperativa Agro Pecuária Vale do Rio Doce Ltda., de Governador Valadares (MG). A empresa não revelou o valor investido. O negócio faturou R$ 166 milhões no ano passado.