O presidente da Associação Brasileira dos Produtores de Milho (Abramilho), Odacir Klein, comemorou a suspensão da liminar que suspendia os efeitos da autorização de liberação comercial das variedades de milhos geneticamente modificados (GM), aprovados para comercialização pela Comissão Técnica Nacional de Biossegurança (CTNBio) e que estavam impedidos de plantio. Conforme decisão da desembargadora federal Maria Lúcia Luz Leiria, publicada em 10 de janeiro de 2008, no portal da Justiça Federal da 4ª Região, foi revogada a liminar concedida em outubro de 2007 que suspendia os efeitos dessa liberação. Com a nova decisão judicial, a CTNBio também fica livre para continuar a deliberar sobre novos pedidos de liberação comercial de variedades transgênicas.

“Não era sem tempo que uma decisão corajosa viesse para colaborar com os produtores brasileiros. O Brasil precisa ganhar produtividade para a produção de milho, tanto para abastecer o mercado interno como para poder conquistar novas posições no mercado internacional. Somos hoje o terceiro maior exportador, mas temos condições de, a médio prazo, superar a Argentina nesse fornecimento para os países compradores, em especial os da Europa e do Oriente Médio, como já ficou demonstrado no segundo semestre do ano passado”, declarou o presidente da Abramilho. “Não era justo ficar a reboque da Argentina tecnologicamente”, desabafou.

Almir Rebelo, presidente do Clube Amigos da Terra, de Tupanciretã (RS), também aplaudiu a decisão. “Como produtor estou comemorando essa decisão, pois entendo que esse é o primeiro passo para o desentrave das barreiras que impedem o plantio no Brasil. Nesse momento, é importante que a sociedade saiba que com essa contribuição da Justiça nós diminuiremos o custo da produção para R$ 50,00/ha, melhoraremos a nossa competitividade e teremos ganhos com uma maior produção”. Almir também destaca que os produtos transgênicos permitem diminuir o uso de agroquímicos, contribuindo para a saúde dos produtores e para o meio ambiente.

Dados da Céleres apontam que, tanto na Argentina quanto nos Estados Unidos, houve um aumento de produtividade no plantio de milho após a introdução das variedades transgênicas. O aumento da produtividade média nos Estados Unidos entre 1988 e 1997 foi de 0,6% ao ano, ao passo que no período de 1998 (introdução da biotecnologia do milho nos EUA) a 2007, o crescimento médio foi de 1,6% ao ano. No caso da Argentina, de 1990 a 1997, a Argentina manteve sua produtividade média sempre na casa de 4.200 kg/hectare. Com a introdução do milho geneticamente modificado em 1998, a produtividade média saltou imediatamente para o patamar de 6.000 kg/hectare.

No início de 2007, a Abrasem – Associação Brasileira dos Produtores de Sementes apresentou um estudo demonstrando os benefícios da comercialização do milho GM. A conclusão foi de que, se apenas 50% da atual área planta de milho passassem a ser de variedades transgênicas, o Brasil teria um ganho econômico de US$ 192 milhões. Desse total, US$ 31 milhões seriam decorrentes do menor volume de agrotóxicos a ser utilizado nessas lavouras, deixando de contaminar o meio ambiente e a saúde dos agricultores. “Atrasos dessa natureza não podem mais acontecer. Produtos transgênicos são utilizados em todo o mundo há mais de 10 anos e o Brasil estava ficando para trás”, observou o presidente da Abramilho. As informações são da assessoria de imprensa da Abramilho.