Isentas até o final de 2007, as operações de crédito rural passarão a pagar o IOF (Imposto sobre Operações Financeiras) a partir deste ano, com a estratégia do governo de substituir parte da arrecadação perdida com a CPMF por uma elevação do IOF e da CSLL (Constribuição Social sobre o Lucro Líquido).

Nas contas do Cepea (Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada) o agronegócio brasileiro poderá sofrer um impacto de até R$ 355 milhões com o pagamento da alíquota de 0,38% do IOF sobre as operações de crédito rural. Na avaliação do professor Geraldo Sant’Ana de Camargo Barros, coordenador científico do Cepea, o volume de crédito concedido pelo sistema oficial do governo é de aproximadamente R$ 44 bilhões. Além disso, as operações de Cédula de Produto Rural (CPR) oficiais e de gaveta movimentam anualmente cerca de R$ 9 bilhões e R$ 40 bilhões milhões, respectivamente.

“Considerando apenas as operações de crédito rural podemos antever uma arrecadação de R$ 170 milhões por ano. Se o IOF for cobrado das operações de CPR seria possível estimar mais R$ 35 milhões arrecadados pelas CPR oficiais e outros R$ 150 milhões das de gaveta”, afirma Barros. Na prática, dos R$ 8 bilhões que o governo pretende arrecadar com o aumento do IOF, entre 2,6% e 4% poderão sair do agronegócio, mais precisamente do setor produtivo, que não tem para quem repassar o aumento dos custos.

A cobrança de IOF nas operações de crédito rural devem representar um aumento de 1% a 1,6% nos impostos pagos pelo setor produtivo. Apesar de a tendência para os preços agrícolas em 2008 ser de manutenção da trajetória de alta, o professor lembra que alguns insumos subiram muito na última safra. Para plantar a safra 2007/08 os produtores arcaram com um custo médio de fertilizante 30% maior do que o registrado na safra passada, chegando a 70% em algumas regiões de fronteira.

“A esta altura, a preocupação devia estar focada em obter da agropecuária uma significativa resposta em termos de produção e não criar um ônus a mais a um setor que tanto tem contribuído para o controle da inflação e geração de divisas”, afirma Barros.