O governo admitiu ontem a existência de falhas na primeira lista de fazendas consideradas aptas a exportar carne para a União Européia (UE) e reduziu a relação de 2.681 para 600 propriedades. A nova listagem será submetida à UE no dia 14, informou o ministro da Agricultura, Reinhold Stephanes.

As 2.081 fazendas cortadas da primeira lista, encaminhada a Bruxelas no mês passado, apresentavam, segundo o ministro, deficiências burocráticas, classificadas por ele como “pequenas falhas, erros ou detalhes”. A listagem foi rejeitada pela UE, o que provocou a suspensão das exportações de carne brasileira para o mercado europeu desde o dia 1º.

Entre as deficiências admitidas pelo ministro, estão a ausência de documentos sobre a importação de animais, a inexistência de notas fiscais e a falta do número do Cadastro de Pessoa Física (CPF) dos donos de alguns rebanhos. Apesar do recuo do governo e da redução do número de fazendas credenciadas pelo Brasil, o total incluído na nova lista ainda está muito acima do defendido pelas autoridades européias, que pediram uma lista com somente 300 propriedades ao governo brasileiro.

Stephanes, no entanto, disse estar otimista em relação à aceitação da nova listagem. “É uma negociação complexa que começou há oito anos”, comentou. “Acreditamos que, com toda a documentação em ordem, a UE aceitará a nova lista”, afirmou, após reunir-se com secretários de agricultura de cinco Estados exportadores de carne. Segundo ele, “não há absolutamente nenhuma ressalva” em relação às 600 fazendas que integrarão a nova lista.

Fontes da iniciativa privada avaliaram que há uma estratégia comercial por trás da decisão do governo brasileiro de enviar uma lista com 600 fazendas, o dobro do pedido pela UE. As 300 fazendas pedidas pelo bloco não teriam condições, argumentam, de atender à demanda dos 27 países do bloco, que gastaram US$ 146 milhões com compras de carne brasileira em janeiro deste ano. Em 2007, as exportações de carne brasileira para o bloco totalizaram US$ 1,08 bilhão, segundo números do governo.

A aceitação da nova lista é o primeiro passo para a reabertura do mercado da UE para a carne brasileira. As vendas foram suspensas no mês passado, depois do envio da primeira listagem de 2.681 propriedades, que não foi aceita pelos europeus.

Ficou acertado que veterinários da UE farão auditorias aleatórias em fazendas brasileiras a partir do dia 25 de fevereiro, segundo informou o secretário de Defesa Agropecuária, Inácio Kroetz. As visitas serão feitas por um período de 14 dias e o número de fazendas que passará pela auditoria dependerá da aceitação da lista com os 600 nomes.

Os europeus avaliarão as condições das fazendas em todos os Estados do País. Stephanes disse, ainda, que as fazendas que ficarem de fora da nova lista a ser enviada para a UE poderão ser incluídas posteriormente, desde que cumpram as exigências dos europeus no que se refere à sanidade do rebanho e rastreabilidade dos animais.