Após três anos de crise no setor pecuário, com preços baixos e abate de matrizes, agora é a vez dos frigoríficos de trabalhar com as margens apertadas. Tudo isso porque houve uma drástica redução dos plantéis e a oferta tende a se manter escassa nos próximos dois anos. Entretanto, o mercado se mantém aquecido por conta das exportações e da melhora da renda do brasileiro, que aumentou o consumo de carne.

De olho no mercado, frigoríficos investem em rebanhos próprios para manter os abates durante o período de entressafra, época que a oferta fica ainda mais reduzida e muitas empresas chegam a conceder férias coletivas.

Pecuaristas como Laucídeo Coelho, que é presidente da Associação dos Criadores do Mato Grosso do Sul (Acrisul), reduziram as matrizes nos últimos três anos e só pretendem começar a recompor seus rebanhos em 2009. “Em três anos, reduzi em 30% o número de matrizes e vou continuar abatendo, mas de forma menos acentuada este ano”, avisa Coelho. Segundo o pecuarista, somente em cinco anos o seu plantel deve ser recomposto.

“Os preços pagos pelo gado de corte no Mato Grosso do Sul ainda estão abaixo do ideal, por isso os produtores vão manter a oferta reduzida e refazer seus plantéis de forma lenta”, afirma o empresário, que conta, em sua fazenda, cerca de 12 mil animais.

No Estado de São Paulo, o preço pago pelo boi gordo está em torno de R$ 75 a arroba. Já nos estados do Centro-Oeste e do Norte do País, o preço médio gira em torno de R$ 70 a arroba.

Frigoríficos:

No período de crise para os produtores, os frigoríficos aproveitaram os preços baixos e a demanda aquecida para se capitalizar e investiram para expandir seus negócios. Com isso, existe nesse momento uma grande ociosidade no setor. “Houve um descompasso entre a produção e a indústria, mas no médio e longo prazo o setor voltará a se estabilizar”, explica o consultor Fabiano Tito Rosa, da Scot Consultoria.

De acordo com o consultor, as empresas abriram capital e obtiveram crédito no exterior e, com isso, construíram e ampliaram suas plantas de abate no País. “Se não ocorrer uma crise sanitária grave, no próximo ano, a oferta começará a se estabilizar, mas somente em 2010 deve haver um aumento mais significativo do rebanho bovino.”

A forma encontrada pelos frigoríficos de amenizar os períodos de baixa oferta são os rebanhos próprios. Segundo Rosa, os plantéis próprios respondem em média por 5% dos abates dos grandes frigoríficos, pois é preciso muito investimento para verticalizar a produção. O consultor informou que empresas como o Bertin, grupo que tem o maior número de animais confinados, têm gado suficiente para atender menos de 10 dias de demanda, pois abate por dia 10 mil animais.

Minerva:

O Minerva, um dos maiores frigoríficos do País, está atento à baixa oferta de gado e aos riscos de embargo por parte dos países importadores de carne bovina. Para tanto, está investindo na diversificação dos estados onde constrói suas novas plantas e em gado próprio e na forma de parceria.

Hoje, a empresa conta com 70 mil cabeças de gado próprio e 20 mil em sistema de parceria. “A estratégia é para garantir o fornecimento nos momentos mais críticos. Não seremos concorrentes dos produtores”, afirma Edivar Vilela, presidente do Minerva. Na última entressafra, o grupo foi obrigado a reduzir os dias de abate pela falta de animais, e trabalha hoje com 80% da capacidade dos frigoríficos.

Na área de expansão, o grupo, que abriu capital em julho de 2007, está ampliando e construindo novas unidades em diferentes estados brasileiros. No segundo semestre deste ano, entram em operação duas plantas, uma em Goiás e uma em Rondônia. Atualmente, o Minerva possui cinco unidades industriais operacionais e uma unidade de processamento, nos Estados do Mato Grosso do Sul, Goiás, São Paulo e Tocantins. Além disso, possui uma unidade em fase de construção no Pará. “A diversificação dos estados foi a maneira encontrada pelo grupo para diluir o risco sanitário”, afirma.