Fazer leite com leite custa mais caro”. A frase, que soa absurda, dita por um especialista em lácteos que prefere não se identificar, dá uma pista do futuro do setor no Brasil, principalmente no segmento de longa vida. As recentes descobertas de adulteração do leite, com a adição de soda cáustica e água oxigenada no produto cru por duas cooperativas mineiras, podem reforçar o movimento de consolidação do longa vida no país, no qual existem cerca de 140 marcas e aproximadamente 70 empresas.

A avaliação de especialistas é de que, até hoje, algumas empresas só conseguiam ser competitivas porque faziam algum tipo de adulteração no leite com o objetivo de aumentar o volume e melhorar as margens. Se a fiscalização do Ministério da Agricultura ficar realmente mais rigorosa após as descobertas da Operação da Polícia Federal, essas companhias terão de mudar de prática ou sairão do mercado, avaliam. “Vai ter gente que, sem fraude, vai perceber que não pode produzir leite longa vida, vai sair do mercado”, diz o analista Maurício Palma Nogueira, da Scot Consultoria. Ele acrescenta que algumas empresas só tinham competitividade porque atuavam de “maneira ilícita”.

Um outro analista diz que o setor irá se consolidar se “a fiscalização continuar”. Ele observa que o retorno hoje no segmento é muito baixo – só a embalagem longa vida tem custo unitário de R$ 0,40 num produto cujo preço varia de R$ 1,30 a R$ 1,40 no atacado – por isso o maior rigor na fiscalização provocará mudanças no setor. De acordo com uma fonte da indústria, a margem no longa vida hoje é de apenas R$ 0,03 por litro.

A recente compra da Eleva pela Perdigão é um exemplo de que a consolidação já está em curso no setor, observa Marcelo Carvalho, da consultoria Agripoint. A Eleva, que produz o leite Elegê, comprou no primeiro semestre os ativos da Paulista em Goiás, e acaba de ser adquirida pela Perdigão, dona da Batávia. “Esse é um segmento de rentabilidade muito apertada e que deve passar por consolidação”.

Para o vice-presidente da Associação Brasileira de Leite Longa Vida (ABLV), Laércio Barbosa, o processo de consolidação vai se acelerar “porque será dado maior valor à marca, à segurança, à confiança do consumidor” após a descobertas das fraudes. Até agora, afirma, a questão preço era a mais visada. Commodity, o leite longa vida trabalha com margens apertadas, por vezes negativas. “Qualidade tem preço”, resume Barbosa.

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A avaliação de especialistas é de que, até hoje, algumas empresas só conseguiam ser competitivas porque faziam algum tipo de adulteração no leite com o objetivo de aumentar o volume e melhorar as margens.

Se a fiscalização do Ministério da Agricultura ficar realmente mais rigorosa após as descobertas da Operação da Polícia Federal, essas companhias terão de mudar de prática ou sairão do mercado, avaliam. “Vai ter gente que, sem fraude, vai perceber que não pode produzir leite longa vida, vai sair do mercado”, diz o analista Maurício Palma Nogueira, da Scot Consultoria.

Ele acrescenta que algumas empresas só tinham competitividade porque atuavam de “maneira ilícita”. Um outro analista diz que o setor irá se consolidar se “a fiscalização continuar”. Ele observa que o retorno hoje no segmento é muito baixo – só a embalagem longa vida tem custo unitário de R$ 0,40 num produto cujo preço varia de R$ 1,30 a R$ 1,40 no atacado – por isso o maior rigor na fiscalização provocará mudanças no setor. De acordo com uma fonte da indústria, a margem no longa vida hoje é de apenas R$ 0,03 por litro. A recente compra da Eleva pela Perdigão é um exemplo de que a consolidação já está em curso no setor, observa Marcelo Carvalho, da consultoria Agripoint.

A Eleva, que produz o leite Elegê, comprou no primeiro semestre os ativos da Paulista em Goiás, e acaba de ser adquirida pela Perdigão, dona da Batávia. “Esse é um segmento de rentabilidade muito apertada e que deve passar por consolidação”. Para o vice-presidente da Associação Brasileira de Leite Longa Vida (ABLV), Laércio Barbosa, o processo de consolidação vai se acelerar “porque será dado maior valor à marca, à segurança, à confiança do consumidor” após a descobertas das fraudes.

Até agora, afirma, a questão preço era a mais visada. Commodity, o leite longa vida trabalha com margens apertadas, por vezes negativas. “Qualidade tem preço”, resume Barbosa. Ele diz que os problemas verificados nas cooperativas mineiras Casmil e Coopervale “foram isolados” e argumenta que não existe laudo do Ministério da Agricultura dizendo que foi detectada soda cáustica no longa vida. A exposição do setor foi injustificada, diz, já que outros segmentos de lácteos também adquiriram leite das cooperativas.

Uma das que mais sofreu com o episódio foi a Parmalat, que havia comprado leite das cooperativas por três meses e as descrendenciou assim que surgiram as acusações. O presidente do conselho de administração da Parmalat, Marcus Elias, afirma que a empresa devolveu 100 mil litros de leite “fora de padrão” às duas cooperativas. Após a descoberta das fraudes, o Ministério da Agricultura inspecionou fábricas da Parmalat em Carazinho (RS) e Santa Helena de Goiás (GO), e divulgou laudo dizendo que seus produtos estavam “de acordo com parâmetros estabelecidos pelo Regulamento Técnico de Identidade e Qualidade”.

Sobre o impacto do episódio nas vendas da empresa, Elias diz que “outubro estava vendido”. Agora, a Parmalat está monitorando novembro, segundo ele. O empresário afirma “não ter nenhuma dúvida” de que a Parmalat “vai dar a volta por cima” após o episódio. “Temos uma marca forte e estamos trabalhando para esclarecer a opinião pública”, declara. Sobre uma possível queda nas vendas de longa vida, ele diz que, caso isso ocorra, a empresa vai vender mais outros itens, como o leite em pó.

Segundo o analista Antônio Xavier, da AEX Consultoria, um efeito das fraudes em Minas Gerais é a valorização dos leites A e do pasteurizado em detrimento do longa vida, que estão sendo mais procurados pelos consumidores. Se macula a imagem do leite no curto prazo, a descoberta de fraudes também tem aspectos positivos. “Com a eliminação da fraude, os empresários que trabalham corretamente serão favorecidos, tanto as pequenas e médias indústrias e cooperativas”, diz Palma Nogueira.

Ele explica que as fraudes aumentavam o volume do leite, pressionando o mercado. O consumidor também será beneficiado, se houver fiscalização mais rigorosa, assim como as empresas e os produtores de leite, afirma outro especialista do setor.

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“Fazer leite com leite custa mais caro”. A frase, que soa absurda, dita por um especialista em lácteos que prefere não se identificar, dá uma pista do futuro do setor no Brasil, principalmente no segmento de longa vida. As recentes descobertas de adulteração do leite, com a adição de soda cáustica e água oxigenada no produto cru por duas cooperativas mineiras, podem reforçar o movimento de consolidação do longa vida no país, no qual existem cerca de 140 marcas e aproximadamente 70 empresas.

A avaliação de especialistas é de que, até hoje, algumas empresas só conseguiam ser competitivas porque faziam algum tipo de adulteração no leite com o objetivo de aumentar o volume e melhorar as margens. Se a fiscalização do Ministério da Agricultura ficar realmente mais rigorosa após as descobertas da Operação da Polícia Federal, essas companhias terão de mudar de prática ou sairão do mercado, avaliam. “Vai ter gente que, sem fraude, vai perceber que não pode produzir leite longa vida, vai sair do mercado”, diz o analista Maurício Palma Nogueira, da Scot Consultoria. Ele acrescenta que algumas empresas só tinham competitividade porque atuavam de “maneira ilícita”.

Um outro analista diz que o setor irá se consolidar se “a fiscalização continuar”. Ele observa que o retorno hoje no segmento é muito baixo – só a embalagem longa vida tem custo unitário de R$ 0,40 num produto cujo preço varia de R$ 1,30 a R$ 1,40 no atacado – por isso o maior rigor na fiscalização provocará mudanças no setor. De acordo com uma fonte da indústria, a margem no longa vida hoje é de apenas R$ 0,03 por litro.

A recente compra da Eleva pela Perdigão é um exemplo de que a consolidação já está em curso no setor, observa Marcelo Carvalho, da consultoria Agripoint. A Eleva, que produz o leite Elegê, comprou no primeiro semestre os ativos da Paulista em Goiás, e acaba de ser adquirida pela Perdigão, dona da Batávia. “Esse é um segmento de rentabilidade muito apertada e que deve passar por consolidação”.

Para o vice-presidente da Associação Brasileira de Leite Longa Vida (ABLV), Laércio Barbosa, o processo de consolidação vai se acelerar “porque será dado maior valor à marca, à segurança, à confiança do consumidor” após a descobertas das fraudes. Até agora, afirma, a questão preço era a mais visada. Commodity, o leite longa vida trabalha com margens apertadas, por vezes negativas. “Qualidade tem preço”, resume Barbosa.

Ele diz que os problemas verificados nas cooperativas mineiras Casmil e Coopervale “foram isolados” e argumenta que não existe laudo do Ministério da Agricultura dizendo que foi detectada soda cáustica no longa vida. A exposição do setor foi injustificada, diz, já que outros segmentos de lácteos também adquiriram leite das cooperativas.

Uma das que mais sofreu com o episódio foi a Parmalat, que havia comprado leite das cooperativas por três meses e as descrendenciou assim que surgiram as acusações.

O presidente do conselho de administração da Parmalat, Marcus Elias, afirma que a empresa devolveu 100 mil litros de leite “fora de padrão” às duas cooperativas. Após a descoberta das fraudes, o Ministério da Agricultura inspecionou fábricas da Parmalat em Carazinho (RS) e Santa Helena de Goiás (GO), e divulgou laudo dizendo que seus produtos estavam “de acordo com parâmetros estabelecidos pelo Regulamento Técnico de Identidade e Qualidade”.

Sobre o impacto do episódio nas vendas da empresa, Elias diz que “outubro estava vendido”. Agora, a Parmalat está monitorando novembro, segundo ele. O empresário afirma “não ter nenhuma dúvida” de que a Parmalat “vai dar a volta por cima” após o episódio. “Temos uma marca forte e estamos trabalhando para esclarecer a opinião pública”, declara. Sobre uma possível queda nas vendas de longa vida, ele diz que, caso isso ocorra, a empresa vai vender mais outros itens, como o leite em pó.

Segundo o analista Antônio Xavier, da AEX Consultoria, um efeito das fraudes em Minas Gerais é a valorização dos leites A e do pasteurizado em detrimento do longa vida, que estão sendo mais procurados pelos consumidores. Se macula a imagem do leite no curto prazo, a descoberta de fraudes também tem aspectos positivos. “Com a eliminação da fraude, os empresários que trabalham corretamente serão favorecidos, tanto as pequenas e médias indústrias e cooperativas”, diz Palma Nogueira. Ele explica que as fraudes aumentavam o volume do leite, pressionando o mercado. O consumidor também será beneficiado, se houver fiscalização mais rigorosa, assim como as empresas e os produtores de leite, afirma outro especialista do setor.

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