Pela primeira vez nos últimos anos, a ferrugem asiática da soja vem contrariando as expectativas. A doença está evoluindo de forma menos agressiva do que em anos anteriores e vem sendo bem controlada pelos produtores. “A falta de chuva no início da safra, além de atrasar a semeadura, prejudicou o desenvolvimento da ferrugem, retardando a ocorrência nas lavouras, o que deve fazer com que muitos produtores fechem os cultivos precoces com somente uma aplicação”, explica o pesquisador Rafael Moreira Soares, pesquisador da Embrapa Soja.

Apesar de não ter encontrado clima favorável até agora, é importante estar atento à distribuição de chuvas e às temperaturas amenas que estão ocorrendo nos últimos dias em várias regiões. “O orvalho é uma porta de entrada para a doença. Com seis horas de molhamento, já pode ocorrer a infecção da planta”, observa.

Até agora, o Consórcio Antiferrugem registrou 195 ocorrências da doença. Mato Grosso do Sul é o estado com maior número de ocorrências. As instituições membros do consórcio já confirmaram em laboratório 109 ocorrências em 19 municípios. Comunicado divulgado pela Fundação Chapadão, confirma que a ferrugem está sob controle. “Na safra atual, está sendo desenhado outro quadro completamente diferente da doença. (…) A ferrugem está se manifestando com baixa intensidade, traduzida tanto pela baixa incidência (número de folhas com sintomas), como pela baixa severidade (número de pústulas)”, avalia a pesquisadora Donita Andrade. “Quem está acompanhando direitinho a chegada e a evolução da doença em suas lavouras, certamente vai poder tirar grande proveito da situação, economizando nas aplicações de fungicida, ganhando tempo e dinheiro”, avalia.

O Paraná é o estado com maior número de municípios afetados. As instituições membros do consórcio já confirmaram em laboratório 68 ocorrências em 39 municípios. “A safra está indo muito bem no Paraná”. Os laboratórios credenciados em Mato Grosso confirmaram 2 ocorrências em lavouras comerciais do estado e um foco em Unidade de Alerta, nas cidades de Primavera do Leste e Lucas do Rio Verde. Em Goiás, são dez ocorrências e em Minas Gerais, onde as chuvas estão abaixo da média, até agora não houve nenhum foco confirmado. O estado do Maranhão teve a primeira ocorrência confirmada na última sexta-feira, 11 de janeiro, em uma unidade de alerta na região de Tasso Fragoso.

“A evolução da ferrugem nesta safra é um sinal que o vazio sanitário funcionou, pois retardou o início da ocorrência e diminuiu a pressão do fungo”, avalia Soares. Os focos de ferrugem cadastrados no mapa do Consórcio Antiferrugem são informados pelos laboratórios credenciados junto ao Consórcio. O mapa está disponível no endereço: www.consorcioantiferrugem.net. As informações são da assessoeia de imprensa da Embrapa Soja.