Porém, o agronegócio exportacionista está sendo fortemente prejudicado pela excessiva apreciação do real frente ao dólar.

O agronegócio continuará sendo o principal responsável pelo superávit comercial brasileiro, embora seja possível que ocorra diminuição do ritmo de crescimento das exportações. Invocando essa previsão para 2008, o presidente da Federação da Agricultura e Pecuária do Estado de Santa Catarina (Faesc), José Zeferino Pedrozo, pede mudança na política cambial. O agronegócio exportacionista está sendo fortemente prejudicado pela excessiva apreciação do real frente ao dólar.

O dirigente reclama que a sobrevalorização do real encarece os produtos brasileiros em moedas estrangeiras. Isto é, para os países que compram, esses produtos estão se tornando muito caros e, portanto, menos competitivos. E o produtor brasileiro não ganha nada com isso, ao contrário, perde margem de rentabilidade. Pedrozo defende a adoção de parâmetros cambiais diferenciados para as exportações do agronegócio em geral e agrícolas em particular. A idéia seria adotar uma relação real/dólar que restituísse a rentabilidade do setor primário. Ou seja, um dólar com valor recuperado frente ao real.

Explica que a forte alta dos preços agrícolas no mercado internacional está compensando o câmbio, mas questiona – “até quando será assim,?” As exportações aumentaram 26% em 2007, mas a expansão tende a ficar em 15% neste ano porque os preços não crescerão no ritmo que vinham desde 2005. Haverá desaceleração.

Pedrozo aponta avaliações de analistas de mercado, prevendo que o setor crescerá entre 5% e 15% neste ano. Para demonstrar a supremacia do agronegócio nas exportações, mostra que entre 1994 e 2004 o saldo comercial do campo foi superior ao de toda a balança comercial brasileira. Nos dois anos seguintes, respondeu por entre 85% a 90%. E, em 2007, superou o resultado brasileiro. O saldo da balança comercial do agronegócio foi de US$ 50,5 bilhões – cerca de US$ 10 bilhões acima do superávit comercial brasileiro e quase 20% acima do ano anterior.

Destaques:

Os maiores destaques de 2007 foram as carnes e a soja, que passaram de US$ 11 bilhões, mas praticamente todos os itens da pauta de exportações tiveram desempenho favoráveis. O resultado só não foi melhor porque a importação de fertilizantes cresceu aceleradamente.

Para 2008, a Faesc acredita em um ritmo menor de crescimento: como os preços dos grãos estão valorizados, a receita será maior; no entanto, o volume exportado pode diminuir se houver quebra de safra por problemas climáticos ou por barreiras comerciais, como o caso da União Européia. As informações são da assessoria de imprensa da Faesc.