O comunicado do governo argentino de que vai reabrir os registros das exportações de trigo em 2 milhões de toneladas, a partir desta terça-feira (30), suspendeu a análise da cota de importação pelo Brasil, que seria feita na reunião do conselho de ministros da Câmara de Comércio Exterior (Camex), encerrada há pouco.

O presidente da Federação da Agricultura e Pecuária de Goiás (Faeg), Macel Caixeta, avalia que os produtores brasileiros já podem se preparar para inserção em outros mercados, além do europeu.

“Não há garantias de que os produtores brasileiros poderão continuar exportando carne para União Européia (UE)”, diz Caixeta. Ele argumenta que o prazo foi curto para que todos os produtores se adaptassem às regras e diz que não vê irregularidade no processo por parte dos produtores.

De acordo com a Faeg, mais da metade dos produtores goianos foram aceitos na lista das propriedades que atendem as exigências da UE. De 2.200 propriedades vistoriadas 1.067 foram aprovadas. “Faltou tempo. Espero que o ministro tenha compreendido a situação e dê mais prazo para quem ficou fora da lista”, argumenta.

Caixeta relata que, se houve realmente represálias em relação à carne, os produtores brasileiros devem buscar outros rumos e não parar. “Temos um excelente plantel e os animais têm ótima qualidade genética, o que nos credencia a entrar em qualquer País. Não podemos nos sujeitar a tais exigências.”

O presidente da Faeg destaca ainda que o volume das exportações para a EU não é grande e compromete 3% de toda produção nacional. Macel diz que o impacto de uma possível suspensão nas vendas será pequeno e alerta que a verdadeira intenção da UE é barrar a entrada da carne brasileira naquele mercado para proteger os subsidiados produtores europeus.