Além da seca de 2007, a recente estiagem no Centro-Oeste pode trazer mais impactos na produção do feijão. “”Ainda não é possível falar em quebra, com a estiagem de 10 a 12 dias, pois é preciso avaliar a reação das lavouras com as chuvas recentes””, explicou Eledon Oliveira, gerente de acompanhamento de safra de Companhia Nacional de Abastecimento (Conab).

Outra ameaça é o fenômeno La NiÀa – resfriamento das águas do Oceano Pacífico -, que diminui a formação de frentes chuvosas, principalmente nos Estados do Sul e no oeste de Mato Grosso do Sul. Sem as chuvas a partir de março e com o atraso na colheita de soja e milho, em decorrência do plantio tardio, os agricultores temem plantar a safra de inverno.

A chamada safrinha do milho, plantada a partir deste mês, após a colheita da safra de verão, é estimada em 15,35 milhões de toneladas pela Conab, quase 30% da produção total do grão no País, prevista em 53,37 milhões de toneladas.

O milho é a principal matéria-prima na produção de ração de frangos, suínos e bovinos. “”O milho safrinha é uma preocupação grande, principalmente pela colheita tardia da safra de verão. Sem ainda sabermos os efeitos do La NiÀa, tudo é uma interrogação””, disse Oliveira.

O ministro da Agricultura, Reinhold Stephanes, é cauteloso quando o assunto é clima. Apesar de garantir que “”o feijão e o milho não sentiram os efeitos ainda do tempo não tão chuvoso””, ele diz ser cedo para a previsão da safra. “”Daqui a um mês não sabemos o que vai acontecer, pois as previsões iniciais são de chuvas em menor quantidade””, disse o ministro.

Stephanes admite que o governo deverá ter dificuldades para suprir aumentos de demanda ou mesmo queda na oferta de milho e de feijão. No caso do milho, o problema é a exportação recorde, que em 2007 superou 8,5 milhões de toneladas. O motivo é a redução de 80 milhões de toneladas na oferta dos Estados Unidos, maior produtor e exportador mundial, que utilizou parte da safra do grão para produzir etanol. “”O milho é um produto sensível””, disse o ministro.