O Ministério da Agricultura e Pecuária do Brasil (Mapa) eximiu-se de toda responsabilidade na elaboração das lista de propriedades aptas a fornecerem bois para os frigoríficos que exportam carne para a União Européia (UE). Em reunião nessa quarta-feira (06-02), em Brasília, entre autoridades do ministério e os secretários de agricultura dos Estados exportadores, ficou acertado que os governos estaduais serão responsáveis pela elaboração das listas que serão remetidas aos representantes europeus.

Diante desse novo quadro, o secretário da Agricultura de Goiás, Leonardo Veloso, convocou para esta quinta-feira (07-02) uma reunião com representantes de pecuaristas e frigoríficos para decidir o que fazer. “Não posso tomar qualquer decisão a respeito do assunto sem consultar o setor produtivo, inclusive porque, anteriormente, os produtores manifestaram o entendimento de que a lista de propriedades não deve excluir ninguém. Portanto, preciso saber se continuaremos com a proposta de ou tudo ou nada”, diz o secretário.

Discriminação

Leonardo Veloso faz alusão a recente manifestação da Federação da Agricultura e Pecuária do Estado de Goiás (Faeg), contrária a restrições no número de propriedades em uma eventual lista a ser encaminhada para a União Européia. Para a entidade, dos quase 3 mil Estabelecimentos Rurais Aprovados pelo Sisbov (ERAS), todos deveriam ser auditados e só deixariam de compor a lista os considerados em desconformidade com as normas do Sistema Brasileira de Identificação e Certificação de Origem Bovina e Bubalina (Sisbov).

O secretário da Agricultura de Goiás defendeu, durante a reunião no Ministério da Agricultura, que o governo brasileiro exija critérios claros da União Européia antes de encaminhar qualquer lista de propriedades ao bloco. “Só assim vamos conseguir quebrar esse ciclo vicioso em que sempre que cumprimos uma exigência eles nos apresentam outra.”. Ele diz não ter dúvida em endossar a lista de 1.065 propriedades aprovadas dentre as 2.209 vistoriadas em Goiás pela Agência Goiana de Defesa Agropecuária (Agrodefesa).

Dinamismo

Leonardo Veloso pondera, entretanto, que não seria inconseqüente para afirmar que dentre essas aprovadas não exista nenhuma em desconformidades. “Não por má fé na realização do trabalho de vistoria, mas porque a realidade de cada propriedades é dinâmica por excelência”, diz o secretário, acrescentando que, da mesma forma, propriedade reprovada pela vistoria, hoje já pode estar plenamente em conformidade com as normas do Sisbov. Ele reclama, ainda, que o prazo de menos de um mês foi extremamente exiguo para um vistoria rigorosa nas quase 3 mil propriedades ERAS existentes em Goiás.

As exportações brasileiras de carne para a União Européia estão suspensas desde o final de janeiro, quando o Brasil repassou ao bloco uma lista de 2.681 propriedades aptas a fornecer animais para frigoríficos que exportam para o mercado europeu.