O veto europeu à carne brasileira está beneficiando os consumidores gaúchos, cuja gastronomia privilegia carnes e tem como ponto alto o churrasco de costela e derivados. Desde que a carne in natura produzida no Rio Grande do Sul passou a ser proibida pela União Européia (UE), os preços nos açougues e supermercados de Porto Alegre caíram 20%. Carnes nobres, como filés e contrafilés, estão sendo oferecidas a valores quase iguais ao de cortes menos nobres.

O diretor do Frigorífico Mercosul, Mauro Pilz, única indústria gaúcha atualmente habilitada a exportar carne bovina para países europeus, disse que os preços dos cortes nobres caíram logo na primeira semana de embargo da EU. “Carnes nobres, como filés e contrafilés tiveram uma redução de preço em 20%. Elas são as preferidas do mercado europeu. Não indo para lá, estão sendo ofertadas aqui por um preço mais reduzido, já que o consumidor brasileiro não tem o poder financeiro do consumidor da União Européia”, explicou Pilz.

Segundo ele, os produtores tiveram 10% de redução na produção de carne in natura com a proibição européia. A expectativa do empresário é de que o embargo seja suspenso a partir do próximo dia 25, quando uma missão de técnicos do bloco europeu visita o Brasil para inspecionar os frigoríficos. Se o embargo for mantido nos termos europeus, ele prevê dificuldades para o setor exportador de carnes.

No ano passado, a empresa dirigida por Pilz teve uma experiência de embargo de exportação de carne para a Rússia, com quatro unidades impedidas de embarcar cortes para aquele país. A proibição gerou prejuízos de US$ 50 milhões em 2007. “A Rússia tem umas coisas estranhas”, explicou, referindo-se aos motivos do embargo. Para ele, a inspeção dos europeus pode significar a retomada daquele mercado. “É vantajoso em função do volume que eles compra”, justificou Pilz, sem revelar números.

Em novembro do ano passado, o frigorífico Mercosul, deu férias coletivas a 612 funcionários da unidade de Bagé, medida também adotada nos municípios de Capão do Leão e Alegrete. A empresa estava com 50% de capacidade ociosa.

O presidente da Federação da Agricultura do Rio Grande do Sul (Farsul), Carlos Sperotto, atribui a proibição de exportação da carne bovina a manobras da Irlanda, cujo rebanho de gado zebu concorre com o brasileiro na Europa. ” Vamos aguardar o desenrolar dos acontecimentos. Apostamos na ação dos Ministérios da Agricultura e Relações Exteriores para desfazer essas posições. A Europa é fundamental para as exportações brasileiras, particularmente no setor de carnes e vamos analisar as posições com serenidade e tentar reverter”, afirmou Sperotto.