O diretor-executivo da Associação Brasileira de Indústrias Exportadoras de Carne (Abiec), Antônio Jorge Carmandelli, informou nessa quarta-feira (30-01) que 25% da carne brasileira destinada à exportação vão para a União Européia, mas diante do embargo determinado pelo bloco às importações, os exportadores procurarão outras alternativas. O objetivo, explicou, é manter a perspectiva de aumentar em 5% o volume de exportações neste ano e em até 15% a receita arrecadada, na comparação com o ano passado.

“Nós temos que nos insurgir ante uma realidade que não tem convicção técnica. E se o berço dessa história é o grito dos paternalistas da subvenção mundial, que são os irlandeses, que perderam mercado para o Brasil, Argentina, Uruguai e Paraguai porque não são competitivos, e a União Européia se deixou pressionar por esse apelo, nós vamos começar a exercitar a criatividade, buscando alternativas de oferecer pacotes com cortes diferenciados”, destacou Carmandelli.

Carmandelli disse considerar “um absurdo” a União Européia limitar a 300 o número de propriedades que podem exportar carne aos países do bloco. “Não existe parâmetro técnico, científico, nem respaldo na legislação internacional”, acrescentou.

A restrição foi um dos motivos apontados pelo Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento para a suspensão, pela União Européia, da compra de carne brasileira por tempo indeterminado. Há dois dias, o ministério enviou à União Européia uma lista com mais de 2,6 mil propriedades aptas à exportação.

“Não adianta o Brasil concordar em eles virem para cá, estão marcando uma data, possivelmente dia 25, homologarem, fazerem uma amostragem das propriedades e depois irem embora e ficar no condicional a aprovação de mais estabelecimentos”, disse Carmandelli.

Está prevista para o dia 25 de fevereiro a vinda de uma delegação européia para inspecionar o sistema de rastreabilidade (que identifica, por exemplo, a procedência do animal) adotado pelo serviço oficial brasileiro. No entanto serão auditadas apenas 300 fazendas, selecionadas pelo serviço sanitário da Comissão Européia.

As alternativas ao embargo, segundo o diretor, também incluem “pressionar um pouco mais em relação à própria remessa de carne industrializada para a União Européia, que não foi banida, e, dessa forma, aguardar uma negociação favorável, mas nunca esquecendo que eles não podem chegar aqui e ditar ordens que não sejam aqueles preceitos escritos na OIE [Organização Internacional de Epizootias], de quem eles são signatários”.