A imprensa irlandesa, principalmente a especializada, não escondeu a satisfação com a decisão da União Européia (UE) de rejeitar a lista com as fazendas de gado bovino feita pelo Brasil, o que acabou levando à suspensão temporária das importações do produto brasileiro ao mercado europeu.

O “Irish Farmers Journal”, que vinha fazendo uma intensa campanha contra a carne bovina brasileira, disse, em sua edição de ontem na internet (datada de 2 de fevereiro), de forma irônica, que “desta vez, a ficha deve cair finalmente”, numa referência às autoridades brasileiras. Segundo o jornal, que defende a posição da Associação dos Produtores da Irlanda (IFA), “os brasileiros provavelmente não levaram muito a sério a nova legislação da UE para carne bovina”. Diz, numa tradução livre, que provavelmente o Brasil considerou que tudo ia ser como antes – muita falação, mas no fim as importações continuariam sem reais restrições. Conclui dizendo que os brasileiros julgaram mal.

Além de apontar falhas no sistema de rastreabilidade brasileiro, o Sisbov, acusa o Brasil de falta de transparência em relação à origem da carne exportada para a UE. O IFJ afirma ainda que não deve haver uma explosão de preços no bloco, já que sobra proteína animal na Europa, sobretudo carne suína.

O “Independent” destacou, em seu endereço eletrônico, que os “produtores irlandeses venceram a batalha” para conseguir banir a entrada da carne bovina brasileira na UE. Segundo o jornal, a medida deve elevar os preços do gado no país por conta da menor entrada de carne brasileira no mercado.

No site do EUObserver, com notícias relacionadas à UE, o texto sobre o embargo à carne do Brasil contém um equívoco e diz que a medida foi tomada como “proteção contra a aftosa”. Na verdade, a UE tomou a decisão porque não aceitou a lista brasileira com 2.681 propriedades que o governo considerou aptas a exportar ao bloco. A UE não questionou a situação sanitária do país. Suas dúvidas se referem ao funcionamento do sistema de rastreabilidade brasileiro.