A queda do consumo de leite em Goiás, registrada desde junho do ano passado em função da baixa oferta do produto aos laticínios e das denúncias do Procon-GO de baixa qualidade, afetou a produção industrial goiana em novembro do ano passado. O desempenho da indústria, no geral, apontou crescimento de 4,7% em novembro de 2007 em comparação com igual período de 2006, índice aquém do crescimento da média nacional, de 6,7%. No ano, o resultado do Estado também foi menor (2,2%) do que o observado em nível nacional (6%), de acordo com levantamento do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

Em relação a outubro, a produção industrial goiana cresceu timidamente (0,8%), mas teve desempenho positivo já que houve recuo em 7 das 14 regiões pesquisadas pelo IBGE, em novembro de 2007. A queda reflete, assim como ocorreu na média nacional, a base de comparação elevada em outubro e o menor número de dias úteis de novembro.

De acordo com o diretor-executivo do Sindicato das Indústrias de Leite do Estado de Goiás (Sindileite), Alfredo Luiz Correia, no ano passado a oferta de leite para as indústrias goianas foi reduzida e o preço subiu, afastando os consumidores. Para agravar a situação, ainda ocorreram denúncias de irregularidades de qualidade do produto, o que provocou maior queda no consumo e, automaticamente, retração na produção. Segundo ele, o quadro não foi alterado em dezembro. Portanto, os números que mostram o desempenho da indústria de alimentação ainda deverão continuar negativos nos próximos levantamentos.

No ano
Mas apesar do fraco desempenho da indústria de alimentos no decorrer de quase todo o ano de 2007, o coordenador da pesquisa industrial do IBGE, economista André Macedo, prevê que o setor fechará o ano com números positivos em Goiás, embora abaixo da média nacional. Na taxa anualizada (acumulado nos últimos 12 meses), houve ligeira perda no ritmo de crescimento, de 2,3% em outubro para 2,1% em novembro.

Em Goiás, quatro das cinco atividades pesquisadas tiveram crescimento no confronto de novembro de 2007 com igual período do ano anterior. Os principais impactos foram observados em alimentos e bebidas (3,2%) e produtos químicos (15,1%). A indústria de produtos químicos mostrou recuperação, após queda registrada desde julho por causa da falta de matéria-prima. Metalurgia básica (-1,4%) foi o único ramo que apresentou queda na produção.

A produção acumulada no ano de 2007 avançou tanto na indústria extrativa (9,8%) como na de transformação (1,2%). No primeiro segmento, o destaque ficou com a maior produção de amianto. Já na indústria de transformação, os principais impactos positivos vieram de alimentos e bebidas (0,9%) e minerais não-metálicos (8,9%).