A crise nos Estados Unidos, com ameaça de recessão econômica, já preocupa o segmento do agronegócio em Goiás, um dos principais Estados do ranking brasileiro na produção de alimentos. O analista de mercado da Federação da Agricultura e Pecuária do Estado de Goiás (Faeg), Pedro Arantes, vislumbra dois cenários.

O primeiro é de uma montanha russa, em que haverá oscilação no sistema financeiro que pode atingir as commodities agrícolas e pecuárias. As alterações imediatas seriam do câmbio, com a flutuação do dólar em relação a outras moedas e as cotações nas bolsas. O segundo cenário seria composto pelo agravamento da crise americana, fato que traria problemas não só para a economia dos Estados Unidos, mas com forte reflexo em todo o mundo.

Pedro Arantes acredita que a primeira hipótese deve se confirmar e diz que, dos solavancos hoje, a situação passará pela recuperação no dia seguinte e pelos conseqüentes reajustes. Para os produtores, o economista recomenda leitura constante do cenário do dia e assim tentar comercializar no melhor cenário, recuando com a queda do dólar, como tem ocorrido nos últimos dias, para ir contornando o imprevisível.

Arantes, que acompanha o mercado agrícola há alguns anos, mostra-se confiante de que não haverá uma crise acentuada, porque o governo Bush tem tomado medidas acertadas para impedir o desaquecimento geral da economia norte-americana. Ele observa ainda que os grandes grupos financeiros internacionais, como por exemplo, os árabes, vêm alocando recursos, oriundos do petróleo, para evitar a insolvência do setor financeiro norte-americano.

Quanto às principais commodities agropecuárias, ele confia no aumento de preços destas, embora insista que o Brasil tem que se preparar para não ser pego de surpresa.