Em época de milho caro e escasso, criadores de suínos buscam ingredientes alternativos e mais baratos para compor a dieta na granja. As opções, porém, variam conforme a região e, antes de adotar uma dieta alternativa, é preciso considerar a oferta regular do produto e verificar o valor nutricional e a segurança do alimento para o consumo animal.

No Sul, criadores têm usado trigo e triticale para alimentar os animais. “Ambos têm alto valor nutricional e a vantagem de serem produzidos na entressafra do milho”, diz o pesquisador Gustavo Lima, da Embrapa Suínos e Aves. Sorgo, farelo de arroz, casca de soja, raspa de mandioca e farinhas animais, de uso permitido na alimentação de suínos e aves, são outras opções à disposição de criadores conforme a região.

No Sudeste, melaço de cana-de-açúcar e resíduos de indústrias de massas e biscoitos podem ser utilizados.

O criador Matheus Bressiani, de Salto (SP), optou pelo sorgo e farelo de arroz como opção ao milho. “A tonelada do milho está cotada em R$ 500. O farelo de arroz custa até 15% menos e sorgo é 20% mais barato”, diz ele, que compra o farelo de indústrias de beneficiamento da região.

O veterinário Leonardo Porto de Lira sugere, ainda, como alternativas, quirera de arroz, cevada, farelo de trigo, milheto e triguilho. Como cada ingrediente tem uma característica, é importante ter orientação técnica. “Resíduos de cervejaria, por exemplo, têm gosto amargo e o animal pode rejeitar. Só um profissional pode formular uma ração segura, nutritiva e balanceada, rica em energia, proteína, aminoácidos e minerais, conforme a categoria animal.” Para fornecer um produto seguro aos animais, Lira recomenda fazer a análise bromatológica do alimento. “Laboratórios de universidades e Embrapas fazem esse tipo de teste.”