As aves foram as vedetes do setor pecuário em 2007 e prometem seguir na dianteira neste ano. Segundo levantamento da SAFRAS & Mercado, a produção de carnes no ano passado somou 22,49 milhões de toneladas, 3,8% acima dos 12 meses anteriores. Para 2008, a estimativa é de 23 milhões de toneladas, ou 2,6% maior. E quem liderou este crescimento foi o frango, que passou à frente da carne bovina em volume produzido – com tendência de continuar em primeiro lugar em 2008. Na última década, as duas carnes disputam acirradamente a preferência pelo consumidor.

De acordo com o estudo da SAFRAS & Mercado, o resultado de produção de carnes no Brasil em 2007 só não foi melhor devido às dificuldades na bovinocultura. A produção de carne bovina, que somou 9,36 milhões de toneladas foi 2,5% menor que a de 2006. A falta de oferta de boi – apurada no censo do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), que reduziu de 205 milhões de animais para 169,9 milhões – se refletiu nos preços (ver matéria abaixo). Como o setor ainda vive a chamada fase de “virada de ciclo”, as perspectivas para 2008 não são boas em relação à oferta. “Eu acredito que a produção de carne bovina este ano vai recuar por causa do ciclo.

A de frango deve se manter alta, exceto por conta de algo extraordinário”, afirma José Vicente Ferraz, diretor da AgraFNP. Na sua avaliação, o mercado mundial está muito demandado para proteínas e com grave restrição de oferta bovina, por isso, quem deve se aproveitar disso é a carne de frango. “A distância de produção entre as duas carnes tende a aumentar”, conclui. Para Fabiano Tito Rosa, da Scot Consultoria, a falta de matéria-prima é que vai segurar a produção de carne bovina, uma vez que as industrias tê m investido no aumento da capacidade de abate.

Pelas estimativas da consultoria, a produção de carne bovina deve ter caído entre 2% e 3% no ano passado e manter índice semelhante a este em 2008. “Isso pode afetar a exportação. No último ano, o preço interno reagiu mais que o externo e, produzindo menos, deve exportar menos”, acredita Rosa “O setor abate aquilo que o campo oferece”, afirma Péricles Pessoa, presidente da Associação Brasileira de Frigoríficos (Abrafrigo). Segundo ele, a diminuição do rebanho bovino preocupa o setor, que em parte teve suas pastagens substituída pela soja e cana-de-açúcar.

Por outro lado, na sua avaliação, o ciclo de alta do preço do boi vai beneficiar o produtor, que vai investir no plantel. “Isso vai estimular a produção a médio e longo prazo”, acredita. Frangos Pelas estimativas da SAFRAS & Mercado o País produziu no ano passado 10,27 milhões de toneladas de frango, volume 9,8% superior ao registrado em 2006. Para este ano, a consultoria estima 10,7 milhões de toneladas, variação de 4,1%. O presidente da União Brasileira da Avicultura (UBA), Érico Pozzer, diz que os números do ao passado são reflexo do aumento das exportações, na ordem de 20%, e também do maior consumo interno: 5%.

Para este ano, a instituição prevê um incremento de produção entre 7% e 10%, repetindo o aumento do consumo interno, mas sem repetir o avanço do mercado externo. “Com certeza o mercado interno aumenta 5% porque mesmo com os custos mais altos – em função do milho e da soja -, continua sendo a carne mais acessível”, avalia Pozzer. No entanto, segundo ele, o repasse dos custos é um grande problema, pois existe um “teto que o consumidor consegue pagar”. Para ele, este fator pode limitar o crescimento da produção em 2008. Com aumento menor, mas também em curva ascendente, ficou a carne suína: 5% em 2007 e perspectiva de 2,8% neste ano, somando 2,9 milhões de toneladas.

“Foi um ano de recuperação porque em 2006 houve uma queda acentuada nas exportações”, afirma Fabiano Coser, diretor-técnico da Associação Brasileira dos Criadores de Suínos (ABCS). Para 2008 ele acredita em volumes superiores a 600 mil toneladas exportadas, com as possíveis aberturas do Chile, México, Estados Unidos e China.