Um jornalista nos perguntou, hoje, se em termos de exportação de carne bovina, o Brasil é dependente da demanda européia. A resposta é não.

A União Européia (UE), pelo menos até o ano passado, respondia por cerca de 30% da receita brasileira com exportações de carne bovina. Nesse quesito, era o maior cliente. Isso porque, além de comprar muito, paga entre 60% e 100% mais do que a maioria dos importadores.

De acordo com os frigoríficos, o mercado interno e boa parte dos importadores remuneram, hoje, uma carcaça (só carne) de R$62,00/@. Para a União Européia consegue-se R$74,00/@.

Portanto, a UE é um ótimo cliente. Extremamente exigente, é verdade, mas justamente porque paga bem.

De toda forma, não existe dependência. O Brasil já atende mais de 180 países, seja com carne in natura, com carne industrializada, ou os dois. A maioria tem comprado cada vez mais. É o caso da Rússia, que anunciou, recentemente, a liberação de novos frigoríficos aptos a exportar para o país.

Outros mercados estão em processo de abertura, vide exemplo da China. Sem contar a própria expansão do mercado interno, no embalo do aumento do emprego e da renda.

Por fim, é preciso considerar que a oferta de carne bovina está em retração, reflexo de mais de 4 anos de abate de matrizes e redução de investimentos.

Os preços pagos aos produtores brasileiros estão em alta, o que instiga a retomada de investimentos. Mas como o boi não é o frango, que nasce e morre em 42 dias, leva certo tempo para que a produção se normalize.

Talvez o problema seja maior para o UE do que para o Brasil. Afinal, os europeus possuem um déficit anual de cerca de 600 mil toneladas equivalente carcaça de carne bovina, e não é em qualquer lugar que se encontra um fornecedor com capacidade para tapar tamanho buraco, ainda mais atendendo uma série de exigências relativas à sanidade, rastreabilidade, etc.

Depois do anúncio das novas restrições ao Brasil, o movimento de alta dos preços da carne bovina na UE se intensificou. Os consumidores locais não estão nada satisfeitos, e os importadores já estão correndo atrás, até, de carne bovina dos EUA… Mas não é lá que tem hormônio e vaca louca? (FTR)

UE paga bem mais que a Rússia

Os maiores compradores da carne bovina brasileira, em 2007, foram, em ordem decrescente: União Européia, Rússia, países da África e Oriente Médio, quando consideramos o faturamento.

Mas quando se considera o volume exportado, em toneladas métricas, ocorre uma alteração nesta ordem: Rússia, União Européia, países da África e Oriente Médio.

Isso porque a União Européia paga mais pela carne bovina brasileira. Em 2007, o preço médio pago pela carne bovina (in natura + industrializada) pela União Européia foi 138% maior que o valor médio pago pelos países da África, 117% maior que o preço médio pago pela Rússia e 94,7% maior que o valor médio pago pelo Oriente Médio. (MGT)