O Estado de Mato Grosso alcançou recorde de vacinação do rebanho bovino na última etapa da campanha contra a febre aftosa, realizada no mês de novembro, com o índice de imunização chegando a 99,57%. Balanço divulgado ontem pelo Instituto de Defesa Agropecuária de Mato Grosso (Indea) mostra que do total de 25.737.762 cabeças, 25.626.255 foram vacinados contra a doença.

Este é o maior índice de vacinação alçando pelo Estado desde o lançamento da primeira campanha de vacinação, em 1974. “Os índices que Mato Grosso vem alcançando são sempre crescentes, o que representa a conscientização do nosso produtor e a atenção que os governos têm dado ao programa de erradicação da aftosa”, avalia o presidente do Indea, Décio Coutinho. Em 2006, de um total de 26.172.578 bovinos, 26.028.112 (99,45%) receberam a dose da vacina contra aftosa na terceira etapa.

De acordo com Décio Coutinho, esta conquista é fruto de um trabalho conjunto e a parceria público privada estabelecida ainda na década passada em que participam governo, município, Fefa e produtores. A unidade regional de Cuiabá foi a que apresentou o menor índice de vacinação. De acordo com os dados, do total de 2.063.353 bovinos, 2.018.066 foram imunizados, com percentual de 97,81%.

A região de Barra do Garças, que conta o maior rebanho no Estado (3,70 milhões de cabeças), vacinou 3,69 milhões de bovinos (99,78%). Já a unidade de Sinop, que possui o menor número, vacinou 100% do seu rebanho, que é de 649.997 cabeças.

Conforme Décio Coutinho, os pecuaristas ou proprietários que deixaram de imunizar 0,43% do rebanho foram autuados em R$ 63,00 por cabeça não vacinada, sendo que a vacinação deste percentual também já aconteceu com a supervisão do Indea.

O presidente do Fundo Emergencial da Febre Aftosa (Fefa), Zeca D’Ávila, entende que em um Estado de dimensões continentais como Mato Grosso e com pecuária predominantemente extensiva é difícil vacinar 100% dos animais.

Para ele, o número alçando na etapa de novembro é para comemorar até porque que o Estado não registra há 12 anos nenhum caso da doença. “Isso é um orgulho para Mato Grosso, mostra que o setor produtivo de Mato Grosso, no caso da aftosa, cumpre o seu papel. Temos que dar prosseguir com a vacinação para continuarmos tendo um rebanho saudável”, disse.

D’Ávila pondera que o grande objetivo é fazer com Mato Grosso continue livre da aftosa sem que haja necessidade de vacinação. “Isso é possível. Depende do governo federal verificar se há ou não o vírus circulante no Estado”, comentou. Com exceção de Tocantins e Goiás, nos últimos anos aconteceram episódios de aftosa nos Estados vizinhos de Mato Grosso do Sul (2005), Amazonas (2005) e Pará (2004), além da Bolívia.

O coordenador de Pecuária da Federação da Agricultura e Pecuária do Estado (Famato), Luís Carlos Meister, destacou a importância do controle da aftosa para o rebanho mato-grossense. “Se mantivermos estes índices, poderemos em breve ampliar a nossa área de exportação”, disse ele.

Para o superintendente federal da Agricultura em Mato Grosso, Paulo Bilego, todos os parceiros que possibilitaram a conquista deste marco devem ser parabenizados. “O Brasil e o mundo reconhece este fato e hoje 140 países importam a carne brasileira, por isso é importante conservar este título que abrirá novas portas para o gado mato-grossenses no exterior”, ressaltou ele.

Paulo Bilego salientou ainda que o Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento contribui com recursos que são gerenciados pelo Indea e que, na campanha do ano passado, reforçou o trabalho de fiscalização do instituto.

Mato Grosso realiza três etapas anuais, em datas distintas, de vacinação contra a aftosa. A primeira delas começa a partir de primeiro de fevereiro, quando será imunizado o rebanho de zero a 12 meses. A segunda acontece em maio, atingido o gado de zero a 24 meses e, terceira e última, em novembro, quando é vacinado todo o rebanho ou de mamando a caducando, como os próprios representantes dos órgãos ligados ao setor dizem.