A Bunge Alimentos colocou nos supermercados brasileiros os primeiros produtos com rótulos de transgênico no Brasil. Os óleos de soja Soya e Primor chegaram às prateleiras em novembro e contêm na embalagem a letra T (maiúscula) no meio de um triângulo amarelo, conforme prevê a lei de rotulagem de 2004.

Segundo Adalgiso Telles, diretor de comunicação e marketing da empresa, trata-se de uma decisão “pró-ativa” da Bunge para atender a “eventuais consumidores que quiserem saber” sobre a transgenia do produto. De acordo com ele, a empresa não estaria obrigada a atender à lei porque nos testes com o óleo de soja não são detectados traços de transgenia – esta aparece na proteína da soja, que vai para o farelo. Por esse mesmo raciocínio, ele argumenta não ser necessário acrescentar a rotulagem em derivados do óleo da empresa, como as margarinas Primor e Delícia.

O Greenpeace – que em outubro de 2005 reuniu cerca de 20 ativistas em Brasília para entregar ao governo um dossiê que comprovava a utilização de soja transgênica na fabricação dos óleos – refuta a argumentação. A organização ambiental afirma que todos os produtos fabricados com mais de 1% de organismos geneticamente modificados devem trazer a informação no rótulo. “Isso vale mesmo para produtos como o óleo, a maionese e a margarina, em que não é possível detectar o DNA transgênico”.

“É uma tremenda vitória, mas ainda há muito o que fazer. As margarinas e maioneses da marca Soya, por exemplo, não estão rotuladas ainda”, afirma Gabriela Vuolo, coordenadora da campanha de Engenharia Genética do Greenpeace. Segundo ela, antes dos óleos a Bunge rotulava apenas sua ração para frango no Rio Grande do Sul. “Para o consumidor final, é a primeira vez.”

A Cargill, outra gigante americana do setor de alimentos, informou que não fala sobre o assunto. A multinacional produz o óleo de soja Liza no Brasil.