Dados do Instituto Mato-grossense de Economia Agrícola mostram que, nos primeiros 17 dias de 2008, o valor da arroba atingiu até R$ 70 em algumas cidades, ante a uma média de R$ 65,10

Segundo o Imea, o menor preço registrado ocorreu em 2006, quando a arroba foi cotada a uma média de R$ 38,66 – se a média de 2008 for comparada à daquele ano, há um incremento de 68,3%. Já no ano passado, o preço médio foi de R$ 52,55, com picos de até R$ 62,25, como ocorreu em dezembro.

Para o presidente da Comissão de Pecuária de Corte da Federação da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Famato), Júlio César Ferraz Rocha, o aumento no preço pago ao produtor está sendo motivado por três fatores principais. O primeiro deles é que não está havendo tanta disponibilidade de gado pronto para o abate no mercado. Outro motivo é a relação de troca, mas como está escassa a oferta de bezerros, ele “segura” o gado adulto acarretando elevação dos preços.

O terceiro motivo é o aumento no consumo, consequência da melhora na renda dos trabalhadores. “Somando-se estes três fatores, o resultado é a majoração no preço da arroba e a recuperação da renda dos criadores”, disse Rocha ao “A Gazeta”, acrescentando que em 2008 não há perspectiva de baixa nos preços.

O diretor da Associação dos Produtores Rurais (APR), Paulo Rezende, lembra ainda que o abate de fêmeas em 2005 e 2006 foi uma das ações dos pecuaristas que resultou na redução da oferta do boi no ano passado e neste ano. “Naquele período foi a decisão que o produtor tomou para não ter ainda mais prejuízo, ante aos custos da produção”.