A Federação da Agricultura e Pecuária de Mato Grosso iniciou ontem uma ofensiva contra o decreto do governo federal que proibiu novos desmates em 36 municípios na Amazônia, 19 deles no estado.

Uma das medidas estudadas é cobrar da Confederação Nacional da Agricultura (CNA) que proponha uma ação direta de inconstitucionalidade (Adin) contra o decreto. A reclamação dos agropecuaristas é que as restrições impostas pelo governo não têm prazo para acabar.

Eles querem que o governo federal assegure algum tipo de pagamento pela conservação ambiental, e vão pedir ao Inpe (Instituto Nacional de Pesquisas Especiais) informações detalhadas sobre a situação dos municípios no estado.

Hoje técnicos do Inpe acompanharão os ministros do Meio Ambiente, Marina Silva, e do Desenvolvimento Agrário, Guilherme Cassel, e o governador de Mato Grosso, Blairo Maggi (PR) em sobrevôo da região de desmatamento no norte do estado. Farão parte do grupo técnicos do Ibama e do Incra.

Acompanhados de prefeitos e deputados estaduais, os integrantes da Famato foram à tarde ao gabinete do governador Blairo Maggi cobrar apoio. Os produtores querem que o governo federal assegure algum tipo de pagamento pela conservação ambiental e vão pedir ao Inpe informações detalhadas sobre o desmatamento no Estado.

– Não dá para se falar em aumento do desmate, quando houve queda de 400 mil cabeças no rebanho bovino e redução de 7% na produção de grãos no ano passado – disse o presidente da Famato, Rui Prado.

Maggi despachou ontem na Secretaria Estadual de Meio Ambiente, o órgão que emite licença de desmate, e voltou a criticar os números divulgados pelo Inpe.

– Espero que não seja necessário falar com o presidente sobre este assunto – disse o governador, que pediu à ministra Dilma Rousseff (Casa Civil) para reunir o Inpe e o Ministério do Meio Ambiente, a fim de rever os dados sobre desmatamento.