Em um projeto que consumirá, inicialmente, R$ 1 milhão, a Associação dos Produtores de Soja de Mato Grosso (Aprosoja) deverá iniciar, ainda em janeiro, sondagens em uma área de ocorrência de fosfato no Estado. A entidade quer estrear no ramo da mineração para tentar fazer frente a um dos maiores entraves atuais para a expansão agrícola: o encarecimento do adubo.

No ano passado, a Aprosoja requisitou o direito de pesquisar uma jazida localizada em uma área de aproximadamente 600 mil hectares próxima de Nova Mutum, na região norte de Mato Grosso. O pedido foi atendido pelo Departamento Nacional de Produção Mineral (DNPM).

Após a análise prévia dos dados sobre a área, feita por pesquisadores da Unicamp, a associação dos sojicultores limitou o foco do trabalho a 50 mil hectares. Agora, aguarda apenas a publicação do alvará de pesquisa mineral para começar a perfuração do terreno com sondas.

A Aprosoja terá até três anos para concluir a análise de itens como o volume e o teor do fosfato presente na região. Na seqüência, caso a ocorrência apresente viabilidade econômica, será requisitado o direito de extração do mineral. “Queremos ao menos tentar fazer o custo do adubo voltar ao que era em 1996, 1997”, afirma o presidente da Aprosoja, Glauber Silveira.

Segundo a Associação Nacional para Difusão de Adubos (Anda), em 2002 eram necessárias 15,6 sacas de soja para adquirir uma tonelada de fertilizante, na média nacional. O custo subiu quase ininterruptamente desde então e atingiu, em novembro do ano passado, 20,8 sacas. “Há 11, 12 anos, era normal gastar 10 sacas de fertilizante por hectare, ou até menos que isso. Agora, o consumo chega a 17 sacas por hectare”, diz Silveira. “E não pára de subir”.

O aumento da demanda mundial por grãos exige maior produtividade no campo, o que amplia o consumo de fertilizantes. Fatores como o encarecimento do petróleo, além do próprio avanço do consumo, têm puxado para cima o custo do insumo. Em 2007, o preço dos fertilizantes subiu, em média, mais de 30%.

O projeto da Aprosoja ainda está em fase embrionária. A entidade não terá condições de tocá-lo sozinho, caso o fosfato da região seja economicamente viável, como admite o próprio presidente da entidade. “Certamente vamos precisar de uma parceria. Um projeto como esse é muito caro”, admite Silveira. O custo da montagem de uma estrutura de extração de fosfato ultrapassa a casa da centena de milhões de dólares.

As reservas brasileiras de fosfato, de 261,6 milhões toneladas, representam 0,5% das reservas mundiais. Como a produção brasileira cresce menos que a demanda, o país é obrigado a importar. Fosfertil, Copebrás, e Bunge são as principais produtoras radicadas no país.

Segundo o Sumário Mineral 2007, do DNPM, a soja, com 7,1 milhões de toneladas, é a cultura que mais consome fosfato no país, com 34% do total. Em 2006, as importações somaram US$ 911,7 milhões, volume 2,7% maior que o de 2005. Nitrogênio, fosfato e potássio são as principais fontes de matérias-primas para a produção de fertilizantes.