Enquanto o Conselho Nacional de Biossegurança se preparava, em Brasília, para analisar a liberação do plantio comercial de milho transgênico no país, a Associação Brasileira de Sementes e Mudas (Abrasem) apresentava a jornalistas, em São Paulo, um estudo sobre os benefícios da utilização de soja e algodão geneticamente modificados elaborado pela consultoria Céleres.

Ambos já têm o plantio regulamentado no Brasil: uma variedade de soja resistente ao herbicida glifosato foi aprovada pela Comissão Técnica Nacional de Biossegurança (CTNBio) em 1998 e chegou ao mercado em 2003, após cinco anos de batalhas judiciais, e uma de algodão tolerante a insetos teve sinal verde em 2005. As duas foram desenvolvidas pela americana Monsanto.

Conforme o estudo, a adoção da soja transgênica gerou renda adicional de US$ 1,5 bilhão aos produtores brasileiros do grão, mas o montante poderia ter chegado a US$ 4,6 bilhões se o processo de aprovação tivesse seguido o “padrão” americano ou argentino, onde não houve disputas significativas na Justiça. Na safra 2007/08, segundo Anderson Galvão, da Céleres, a produção geneticamente modificada deverá representar de 60% a 62% do total no Brasil; nos EUA, o percentual supera 80%.

No caso da soja, os principais ganhos da variedade transgênica, segundo o estudo, estão na redução de custos dos agricultores. Mas Paula Carneiro, também da Céleres, apresentou simulações de longo prazo (até o ciclo 2016/17) que apontam economia de água, diesel, dióxido de carbono e herbicidas, sobretudo de ingredientes ativos mais tóxicos.

O algodão transgênico, segundo as pesquisas de campo da Céleres, também é capaz de oferecer economias similares – até maiores, uma vez que a tolerância a insetos pode ampliar a produtividade da lavoura. Em dez anos, o benefício potencial total da adoção da tecnologia em 16,6 milhões de hectares (área acumulada na década, não em um único ciclo) foi calculado em US$ 4,8 bilhões.

Iwao Miyamoto, presidente da Abrasem, louvou a utilização da biotecnologia agrícola. O dirigente lembrou que, sem os ganhos de produtividade nas lavouras em geral – principalmente a partir da revolução verde da década de 1960 -, só no Brasil a área plantada de grãos teria de ser três vezes superior para que o volume colhido fosse similar ao atual